Na manhã desta terça-feira (26), um grupo de trabalhadores terceirizados que prestavam serviços para a empresa Speed Serv realizou uma manifestação em frente à sede da Prefeitura da Serra, no bairro Serra Centro. Com cartazes, gritos de socorro e relatos dramáticos de privação financeira, os manifestantes — que atuavam na limpeza e manutenção de escolas municipais da cidade — cobraram uma solução imediata para o atraso de salários, tíquetes-alimentação e a falta de baixa na carteira de trabalho após o encerramento das atividades.
O repórter do Serra Noticiário, Wal Junior, esteve no local do protesto e registrou a indignação e o desespero das trabalhadoras, que denunciam viver em um “jogo de empurra” institucionalizado entre a empresa, o sindicato da categoria e a administração municipal.
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Relatos desesperados: “Vou fazer por fora para não passar fome”
De acordo com as informações, o contrato entre o município e a Speed Serv foi rescindido no dia 14. No entanto, o pós-rescisão transformou-se em um pesadelo para os funcionários. Embora o pagamento tenha caído para uma parte da equipe, alguns trabalhadores continuam com o salário de abril e os tíquetes totalmente atrasados, afetando diretamente a subsistência das famílias.
Durante a manifestação, uma das funcionárias desabafou ao repórter Wal Junior, mostrando que as contas atrasadas estão gerando transtornos com o proprietário do imóvel onde reside:
“Eu estou aqui com o meu carro atrasado… acordei com isso, acordei não, que eu nem dormi, porque vou fazer um extra para não passar fome em outra empresa que eu estou correndo atrás. E está ali para mim pagar, o dono da casa achando que eu estou mentindo, achando que eu recebi. Nós estamos aqui para reivindicar os nossos direitos. Eu como mãe, as meninas como mães… É o nosso direito que estamos aqui reivindicando.”
Demissões travadas, cancelamento de férias e crise de ansiedade
O repórter Wal Junior destacou que, mesmo com o fim do contrato, os trabalhadores enfrentam sérios problemas burocráticos. A funcionária entrevistada denunciou que a empresa se recusa a dar baixa nas carteiras de trabalho — o que impede o encaminhamento e o recebimento das parcelas do seguro-desemprego. Além disso, ela revelou que dezenas de colegas foram severamente prejudicados pela empresa antes do desligamento:
“Tirou as férias de 47 funcionários! Falou que não ia ter férias porque a empresa tinha perdido o contrato, mas também não dá uma posição para a gente da nossa rescisão. A gente só quer uma posição, porque fica um jogo de empurra para lá e para cá. Agora de manhã conversamos com a presidente do sindicato no telefone e ela falou com a gente que a empresa tem que responder, e a empresa falou que é o sindicato.”
O impacto emocional da falta de respostas e da escassez financeira já começou a cobrar o seu preço na saúde das trabalhadoras.
“Se ninguém dá uma solução, a prefeitura tem que arcar com isso porque a gente prestava serviço para a prefeitura! É obrigação da prefeitura dar uma solução para a gente, porque as escolas municipais eram limpas e eram guardados os filhos, os alunos, com o nosso trabalho. É uma indignação, uma revolta… Eu estou passando mal por causa disso, está me dando crise de ansiedade por causa disso”, desabafou a funcionária.
Em vez de resolver as rescisões, a empresa tem enviado apenas mensagens cobrando a devolução dos uniformes e mandando links para que os profissionais entrem na nova empresa que assumirá o contrato terceirizado.
Intervenção política e tensão no local
O protesto também contou com a presença e o apoio do deputado Pablo, que esteve no local para cobrar acolhimento digno por parte da administração municipal para os trabalhadores que aguardavam ao relento.
O parlamentar criticou a postura de manter os manifestantes do lado de fora do prédio público:
“Todas as pessoas aqui foram trabalhadores da empresa. Em vez de deixar eles na porta da prefeitura, coloca eles lá para poder ser recebido lá dentro da prefeitura. Não pode fazer isso”, cobrou o deputado Pablo, buscando intermediar uma reunião interna.
Vídeo YouTube SN:
O que diz a Prefeitura da Serra
O jornal Serra Noticiário entrou em contato com a administração municipal para pedir esclarecimentos sobre o problema. Em resposta à reportagem, a Secretaria de Educação da Serra emitiu a seguinte nota oficial:
“A Secretaria de Educação da Serra informa que o valor da última folha salarial foi depositado na conta do sindicato, responsável pelo repasse aos trabalhadores. Eventuais inconsistências serão resolvidas por meio de pagamento complementar, que também já foi depositado.”
Apesar do posicionamento do Executivo, as auxiliares de serviços gerais (ASG) que conversaram com a reportagem afirmam que os valores contratuais e as baixas na carteira continuam pendentes. O movimento promete manter as cobranças até que todos os direitos sejam integralmente quitados.
O SN segue acompanhando o caso.
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