O homem de cerca de 60 anos que morreu na explosão registrada na manhã de quarta-feira (25), em Porto Dourado, na Serra, realizava a instalação de tomadas no contêiner no momento do acidente. A informação acrescenta um novo elemento à apuração sobre a tragédia, já que a estrutura metálica armazenava produtos químicos usados na detonação de rochas e concretos, e a hipótese inicial é de que uma faísca ou partícula elétrica possa ter provocado a explosão.
O caso aconteceu em uma área rural às margens da Avenida Porto Dourado. Como já havia sido apurado no local pelo repórter Wal Junior, do Serra Noticiário, a explosão foi de grande intensidade, destruiu parte significativa da estrutura e lançou o corpo da vítima para fora do contêiner. O homem, segundo relatos colhidos pela reportagem, era caseiro da propriedade.
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Material inflamável estava armazenado no contêiner
Durante entrevista, o tenente Natã, do Corpo de Bombeiros, explicou que as equipes foram acionadas para uma ocorrência de explosão com vítima fatal e, ao chegarem ao local, identificaram a suspeita de material perigoso armazenado na estrutura.
Segundo ele, uma equipe especializada da Polícia Militar fez o adentramento com equipamento de proteção antibombas para liberar o acesso da Polícia Civil e permitir a avaliação do ambiente. A partir dos rótulos encontrados, foi possível verificar que se tratava de produto classificado como perigoso segundo a regulamentação, enquadrado como sólido inflamável.
Ainda de acordo com o oficial, não havia vazamento, incêndio em andamento ou material derramado no local, o que permitiu concluir que não seria necessário interditar a rodovia. O isolamento feito na área foi considerado suficiente para a segurança das equipes e de quem circulava nas proximidades.
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Hipótese inicial aponta para faísca durante serviço elétrico
A principal linha inicial considerada pelas equipes é de que a explosão tenha sido provocada por algum tipo de faísca, fagulha ou partícula elétrica durante o trabalho realizado no contêiner. O tenente Natã explicou que o produto encontrado no local não é explosivo por si só, mas pode inflamar ou explodir quando submetido a atrito, fagulha ou outra fonte de ignição.
Essa possibilidade ganha força diante da informação de que a vítima mexia justamente na parte elétrica da estrutura no momento da explosão. Apesar disso, a causa exata ainda dependerá de investigação e laudos periciais.
Esquadrão antibombas foi acionado
O Esquadrão Antibombas do Batalhão de Missões Especiais (BME) também esteve no local para verificar a possibilidade de haver explosivos, como dinamite. O acionamento foi feito pelo Corpo de Bombeiros para garantir a segurança da ocorrência.
Após a análise, a equipe descartou a presença de explosivos e também a possibilidade de novas explosões. A conclusão inicial foi de que o material armazenado era inflamável, e não explosivo.
Empresa não teria alvará
Outro ponto revelado no atendimento é que, segundo o Corpo de Bombeiros, a empresa responsável não possuía alvará da Prefeitura da Serra nem da própria corporação para funcionamento naquele local. Mesmo assim, no contêiner teriam sido encontrados 20 barris com o produto.
Ainda conforme o tenente Natã, a empresa se colocou à disposição e forneceu informações às autoridades, sendo orientada a providenciar o transbordo e o armazenamento correto do material para evitar novos riscos.
Mais informações sobre o caso
Segundo as informações, o homem que morreu era pai do responsável pelo imóvel onde ocorreu a explosão. O local pertenceria ao filho da vítima, que é sócio da empresa que mantinha os materiais inflamáveis armazenados na área. Ainda conforme os relatos, o aposentado costumava permanecer na propriedade realizando pequenos serviços.
Há ainda a informação de que a mesma empresa já teria se envolvido anteriormente em outro acidente, desta vez no município de São Mateus. Na ocasião, um homem morreu e um jovem ficou ferido. Agora, os dois casos passam a ser acompanhados sob investigação policial.
Cena de destruição impressionou moradores
As imagens registradas no local mostram a força da explosão. Além do contêiner, a área tinha uma varanda e um carro, que também foram atingidos. Quase todas as telhas desapareceram com o impacto, e objetos pessoais da vítima ficaram espalhados pela propriedade.
O Serra Noticiário apurou ainda com moradores da região que o estrondo foi ouvido à distância e causou forte susto. A suspeita mais comentada entre pessoas que estavam nas proximidades era justamente a de acidente durante o manuseio de algum material perigoso.

Caso segue sob investigação
A área foi liberada para atuação das demais equipes após a verificação de segurança. A Polícia Científica realizou os trabalhos periciais e o corpo foi removido. Depois disso, o Corpo de Bombeiros permaneceu no local, e uma equipe do Centro Especializado de Resposta a Desastres (CERD) foi acionada para orientar sobre a retirada do material inflamável.
A causa exata da explosão ainda será determinada pela investigação. O Serra Noticiário segue acompanhando o caso.
