Na noite do último domingo (29), uma ocorrência de perturbação do sossego em uma distribuidora de bebidas no bairro Vila Nova de Colares, na Serra, terminou em discussão após um dos responsáveis pelo estabelecimento acusar policiais militares de suposta perseguição a comerciantes. Durante a ação, os militares utilizaram spray de pimenta contra a proprietária e um cliente, que não acataram as ordens para se manterem afastados da equipe policial.
De acordo com a equipe da Polícia Militar (PMES), as equipes foram acionadas pelo Ciodes para verificar a denúncia. A solicitação apontava som alto, possível uso de entorpecentes e presença de crianças no local, situação que estaria causando incômodo aos moradores da região.
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De acordo com a Polícia Militar, três equipes foram deslocadas para o local em apoio à ocorrência. Ao chegarem, os militares encontraram uma aglomeração de pessoas nas proximidades do estabelecimento.
Ainda conforme os militares, apesar da denúncia de som alto, os equipamentos já estavam desligados no momento da abordagem. Ainda assim, os policiais orientaram os responsáveis a manter o volume baixo ou evitar o uso de som, já que havia registros anteriores de reclamações semelhantes naquela região.
Discussão e tensão
Inicialmente, a orientação foi contestada, mas houve indicação de que o som não seria ligado naquele momento. No entanto, a situação evoluiu para um clima de tensão quando uma das responsáveis pelo local passou a questionar a atuação da equipe da PM, alegando perseguição e abuso de autoridade.
As declarações acabaram chamando a atenção de outras pessoas que estavam próximas, gerando aglomeração e interferência nas ações dos militares.
Uso de spray de pimenta
Conforme informações do boletim, durante a tentativa de diálogo, a proprietária se aproximou de forma considerada excessiva de um dos policiais militares, demonstrando resistência às orientações.
Diante disso, para evitar a possibilidade de hostilidade por parte das pessoas presentes, os militares utilizaram spray de pimenta para conter a situação e restabelecer o controle no local.
Outro indivíduo que tentou interferir na atuação policial também foi contido com o mesmo recurso.
A reportagem do Serra Noticiário teve acesso a imagens registradas por um morador, que mostram o momento em que um homem confronta a ação da PM.
Nas imagens, ele questiona a conduta dos militares enquanto se aproxima de um dos policiais. Em determinado momento, chama o policial de “novato”, em uma tentativa de descredibilizar sua atuação. Em seguida, outras pessoas que estavam no local percebem que ele “teria passado do limite” e pedem que ele se afaste.
Vídeo YouTube SN:
Encerramento da ocorrência
Ainda conforme o boletim de ocorrência, uma mulher que se apresentou como advogada da proprietária também questionou a atuação dos policiais, afirmando que a ação estaria incorreta. Os militares informaram que todos os procedimentos seriam registrados e que, caso ela entendesse haver irregularidades, poderia acessar o documento e adotar as medidas cabíveis.
Após o controle da situação e a dispersão das pessoas que estavam aglomeradas, a ocorrência foi finalizada no próprio local, sem registro de detenções ou apreensões.
Versão da Dona do Bar
A proprietária do bar alvo da ação policial contestou a versão apresentada pelos militares e afirmou ao Serra Noticiário que, no domingo da ocorrência, não havia som alto no estabelecimento. Segundo ela, havia três grupos de clientes fazendo churrasco, cada um com caixas de som próprias, e as caixas profissionais do bar — que, de acordo com a comerciante, são usadas apenas em apresentações de música ao vivo — não chegaram a ser ligadas naquele dia.
A empresária também declarou que possui todos os alvarás de funcionamento e disse que as denúncias de perturbação sonora seriam feitas, com frequência, por um pastor de uma igreja vizinha e pela irmã dele. “Ele já denunciou até fechado aqui”, afirmou.
Sobre a abordagem, a proprietária relatou que o sargento Maurício teria chegado ao local dizendo que poderia apreender até mesmo as caixas desligadas. Ainda segundo ela, houve discussão no momento da ação, quando teria acusado o policial de perseguir comerciantes da região. A mulher afirmou ainda que o militar é conhecido no bairro pelo apelido de “papa som”, em referência a apreensões de equipamentos em outros estabelecimentos.
A comerciante também apresentou a versão dela sobre o momento de tensão registrado em vídeo. Segundo o relato, a filha dela, que aparece de azul nas imagens e está concluindo a faculdade de Direito, tentou questionar a conduta dos policiais. Nesse momento, conforme a proprietária, o soldado Wexlei Gomes de Araújo teria passado a intimidar as duas com cacetete e spray de pimenta. Ela afirma que, ao dizer que o agente estaria abusando do poder, acabou atingida pelo spray.
A dona do bar sustenta ainda que nem ela nem a filha avançaram contra os policiais. “Você pode perceber que minha filha nem se move do lugar, eu também não”, disse.
Sobre o homem citado na versão policial, ela afirmou que se trata de um sobrinho dela, descrito pela família como trabalhador e pai de família, e negou que ele tenha atacado os agentes. Segundo a comerciante, ele apenas tentava defender os familiares e se afastava quando recebia ordens dos policiais.
A proprietária ainda declarou que parte da ação teria ocorrido fora do alcance da câmera dela, mas disse que clientes gravaram outros ângulos e enviaram os vídeos posteriormente. Ao final, criticou a versão apresentada pelos militares e afirmou estar “pasma” com o que classificou como mentiras contadas em favor dos policiais.
Histórico da região
Ainda conforme a Polícia Militar, o local já havia sido alvo de denúncias anteriores por perturbação do sossego. Além disso, segundo o boletim de ocorrência, há registros de que, nas proximidades — em uma praça e campo de futebol em frente ao estabelecimento —, indivíduos ligados ao tráfico costumam esconder entorpecentes. A informação consta em ocorrências anteriores, incluindo uma ação que terminou em grande quantidade de drogas na região, o que reforça a necessidade de atenção constante por parte das equipes da Polícia Militar.
