Na manhã desta sexta-feira (08), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), prendeu o empresário Adilson Ferreira, morador do município da Serra. O empresário foi detido no Aeroporto Internacional de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, cidade que faz fronteira com o Paraguai, durante o cumprimento de medidas judiciais relacionadas à investigação.
Adilson já havia sido alvo da Operação Baest e, em março deste ano, teve o carro atingido por disparos em um atentado ocorrido em Jacaraípe, na Serra. Na ocasião, a caminhonete Dodge Ram Rampage foi alvejada com pelo menos quatro tiros, mas ele não ficou ferido. Segundo relato do advogado Douglas Luz, dois homens encapuzados teriam aguardado cerca de quatro horas na região antes de abordar o empresário e atirar contra o veículo, enquanto ele conseguia desviar e escapar.
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Operação Baest
O MPES investiga Adilson por suspeita de liderar uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais. A Operação Baest, deflagrada em maio do ano passado, buscou desarticular uma rede especializada na lavagem de dinheiro ligada à movimentação de recursos destinados a fornecedores na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Após análise das provas reunidas pela Polícia Civil, o Ministério Público apresentou em abril deste ano denúncia criminal contra 14 investigados. O grupo responde por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e agiotagem. A denúncia foi aceita pela 2ª Vara Criminal de Vitória, que determinou medidas como bloqueio de valores, apreensão de veículos e dissolução de empresas supostamente usadas no esquema.
Nesta sexta-feira, o GAECO executou as determinações judiciais, incluindo a prisão preventiva do empresário. Até o momento, a defesa do empresário não se manifestou sobre a prisão.
Relevância da operação
A Operação Baest é considerada uma das mais relevantes dos últimos anos pelas forças de segurança do Espírito Santo, por atingir o braço financeiro do Primeiro Comando de Vitória (PCV). A investigação resultou na apreensão de cerca de R$ 100 milhões em bens e no indiciamento de 20 pessoas. Apesar disso, os investigadores afirmam que Adilson não teria ligação com a facção, mas seria responsável por uma estrutura de lavagem de dinheiro por meio de empresas em nome de laranjas.
O relatório final da operação foi concluído em setembro do ano passado, mas novas informações levaram as autoridades a avaliar uma possível segunda fase da investigação, com reanálise de provas já coletadas.
Investigações
Em outro desdobramento, a Polícia Federal (PF) apontou em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma possível atuação do desembargador federal Macário Júdice Neto, do TRF-2, em favorecimento a interesses ligados a Adilson Ferreira. Segundo a investigação, Macário teria tentado interferir em uma licitação da Secretaria de Educação do Espírito Santo (SEDU) envolvendo a empresa Unique Serviços e Transporte Ltda., de Adilson, que disputava contrato de R$ 10,5 milhões para fornecimento de climatizadores.
A empresa chegou a vencer a concorrência, mas foi desclassificada por inconsistências técnicas. Após recurso, a Procuradoria-Geral do Estado manteve a exclusão do certame. A PF afirma que o magistrado atuou como ponte entre interesses privados e a administração pública, além de manter relação próxima e de confiança com o empresário, com troca de mensagens que indicariam acompanhamento do processo, compartilhamento de informações internas e orientações jurídicas.
