Na última segunda-feira (22), a gestante Adriana Santos, de 33 anos, moradora do bairro Planalto Serrano, conversou com a reportagem do Serra Noticiário para relatar dificuldades no atendimento recebido no Hospital Materno-Infantil da Serra, em Laranjeiras.
Após ter seu parto cesárea negado e ser orientada a voltar pra casa, mesmo com quase 40 semanas de gravidez. A gestante procurou o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos) pedindo ajuda. Após a repercussão do caso nas redes sociais, Adriana conseguiu realizar o seu parto cesárea nesta terça-feira (23).
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A reportagem do SN entrou em contato com a Secretaria de Saúde da Serra (SESA) pedindo esclarecimentos sobre o caso. Em nota, a secretaria informou que a gestante foi atendida nos dias 17, 19 e 22 de junho, com queixas de contrações iniciadas há cerca de duas semanas. Segundo a pasta, em todas as avaliações a gestante apresentava bom estado clínico e não tinha sinais de trabalho de parto ativo. Exames como ultrassonografia com Doppler e cardiotocografia indicaram condições maternas e fetais adequadas, sem necessidade de internação naquele momento.
Mãe sofre na fila de espera do Materno Infantil
Segundo ela, por volta das 14h, procurou a maternidade sentindo dores intensas e sinais de trabalho de parto. Segundo seu relato, aguardou cerca de três horas até ser avaliada.
Em vídeos enviados para a nossa reportagem, Adriana aparece demonstrando fortes dores e implorando por ajuda:
“Por favor me ajuda, que eu não aguento mais. Eu não aguento mais tanto sofrimento nesse lugar. Jesus Amado, me ajuda, me ajuda!”
Adriana Santos
Gestante
Após a consulta, Adriana teria sido foi informada de que não estava em trabalho de parto ativo e orientada a retornar para casa, mesmo estando com quase 40 semanas de gestação, e apresentando contrações frequentes e desconforto significativo.
A orientação de retornar para casa gerou indignação na gestante, que afirma ter o pedido de cesárea em mãos para a realização do parto. Sem ter para quem pedir socorro, a gestante decidiu acionar o deputado estadual Pablo Muribeca (Rep).
Gestante procurou o deputado Pablo Muribeca
Ainda na sala de espera do Materno Infantil, Adriana gravou um vídeo direcionado ao deputado Muribeca, onde implorava por ajuda para realizar a sua cesárea.
“Pablo, por favor, me ajuda. Eu não aguento mais tanto sofrimento nesse lugar. Tem o que você pode fazer por mim, mas eu não aguento mais. Tanto sofrimento, tanta dor.“
Adriana
Pablo Muribeca divulga caso nas redes sociais
Ainda na noite de segunda-feira, o deputado divulgou o caso da gestante em suas redes sociais e cobrou do prefeito Weverson Meireles e da Secretaria Municipal de Saúde que a paciente recebesse o atendimento adequado. Em vídeo, afirmou que, caso algo acontecesse com a gestante ou com o bebê, encaminharia os registros dos pedidos de socorro ao Ministério Público e prometeu continuar a ser “o terror” contra a gestão municipal.
Gestante realizou parto nesta terça-feira
Após a repercussão do caso e promessa do deputado, nesta terça-feira o próprio Pablo Muribeca divulgou um vídeo em suas redes sociais, onde a mãe de Adriana manda um áudio de agradecimento, relatando que a bebê nasceu.
Post Instagram:
Gestante teria sido coagida a não gravar o atendimento no Hospital
Ainda sobre a primeira tentativa de atendimento, a gestante elogiou muito a estrutura física do Hospital, mas teve queixas do atendimento. Inclusive, Adriana relatou sentir-se coagida durante o atendimento.
Durante a espera, ela afirmou ter observado outras gestantes em situação de risco: algumas com sangramento, outras em cadeiras nos corredores, sem acesso a salas adequadas ou acolhimento imediato.
Segundo a gestante, médicos demonstraram mais preocupação com a possibilidade de ela estar fazendo uma gravação do atendimento do que com seu quadro clínico. Inclusive, a coagindo de forma equivocada, afirmando que ela filmar o atendimento seria um crime.
Reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde
Diante das queixas de Adriana, ainda nesta terça-feira (23) a reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com a Secretaria de Saúde da Serra (SESA), questionando:
- A gestante Adriana de Oliveira Santos foi atendida na unidade no dia 22 de junho? Há registro clínico dessa avaliação?
- Quais critérios foram utilizados para concluir que ela não estava em trabalho de parto e ser mandada de volta para casa?
- Por que ela não foi encaminhada para uma cirurgia de parto cesárea na ocasião?
- Quantos leitos estão disponíveis atualmente para internação obstétrica?
Secretaria de Saúde se pronunciou
Por volta de 19h desta terça-feira, a SESA se pronunciou afirmando que a gestante Adriana de Oliveira Santos, com 39 semanas de gestação, foi atendida na unidade nos dias 17, 19 e 22 de junho de 2026, apresentando queixa de contrações iniciadas há aproximadamente duas semanas.
A secretaria pontuou que em todas as avaliações realizadas pela equipe médica, a paciente encontrava-se em bom estado clínico, sem alterações ao exame físico e sem sinais de trabalho de parto ativo.
De acordo com a pasta, como parte da assistência prestada, foram realizados exames de ultrassonografia obstétrica com Doppler e cardiotocografia, cujos resultados demonstraram condições maternas e fetais tranquilizadoras, sem alterações que justificassem a internação ou a indicação de interrupção da gestação naquele momento.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria de Saúde da Serra esclarece que a gestante Adriana de Oliveira Santos, com 39 semanas de gestação, foi atendida na unidade nos dias 17, 19 e 22 de junho de 2026, apresentando queixa de contrações iniciadas há aproximadamente duas semanas.
Em todas as avaliações realizadas pela equipe médica, a paciente encontrava-se em bom estado clínico, sem alterações ao exame físico e sem sinais de trabalho de parto ativo. Como parte da assistência prestada, foram realizados exames de ultrassonografia obstétrica com Doppler e cardiotocografia, cujos resultados demonstraram condições maternas e fetais tranquilizadoras, sem alterações que justificassem a internação ou a indicação de interrupção da gestação naquele momento.
A secretária esclarece, ainda, que, durante o atendimento, houve comportamento agressivo por parte da paciente e de seu acompanhante, bem como tentativa de gravação da equipe por meio de aparelho celular, sem a devida autorização. A instituição reforça que preza pelo respeito mútuo entre pacientes e profissionais de saúde, bem como pelo cumprimento das normas que garantem a privacidade, a segurança e a integridade de todos os envolvidos na assistência.”
Gestante agradece o atendimento recebido
Após o parto cesáreo, o SN teve acesso a um vídeo em que Adriana aparece com a filha, Maia, nos braços. Nas imagens, ela agradece à equipe que a atendeu e afirma que, nesta terça-feira, recebeu um bom atendimento.
Vídeo YouTube SN:
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações em breve.
