José Peisino, bebê que sofreu uma grave queimadura no pé poucas horas após nascer em uma maternidade da Serra, voltou a enfrentar dificuldades no sistema de saúde. Desta vez, a mãe da criança denunciou que uma cirurgia corretiva foi cancelada após o menino já ter sido anestesiado e preparado para o procedimento.
O caso foi relatado por Sara Peisino Barbosa nas redes sociais e gerou indignação entre familiares e internautas. Segundo ela, o filho, atualmente com oito meses de idade, aguardava há meses pela cirurgia que buscaria corrigir sequelas deixadas pela queimadura sofrida em agosto de 2025.
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O procedimento estava marcado para a última segunda-feira (01), no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória.
Mãe relata sofrimento do filho após meses de espera
De acordo com Sara, a família seguiu todas as orientações médicas para a realização da cirurgia. José permaneceu em jejum desde as primeiras horas da manhã e foi encaminhado ao centro cirúrgico durante a tarde.
Segundo o relato, a equipe médica realizou diversas tentativas para conseguir acesso venoso na criança, sem sucesso.
“Depois de meses de espera, a cirurgia foi marcada para hoje. Fiz tudo o que pediram. Meu filho ficou em jejum desde as 6 horas da manhã e foi levado para o centro cirúrgico à tarde”
Sara afirma que os profissionais tentaram obter acesso venoso por 12 vezes. Posteriormente, ela teria sido informada de que seria necessário utilizar um cateter neonatal, material que, segundo a mãe, não estaria disponível na unidade hospitalar.

“Meu filho sofreu à toa”, desabafa mãe
A cirurgia acabou não sendo realizada, o que provocou revolta e tristeza na família.
“No fim, a cirurgia não aconteceu. Meu filho passou fome, sentiu dor, foi anestesiado, chorou e sofreu à toa. Voltou para casa sem o procedimento, sem uma nova data e sem solução para um problema causado pelo próprio sistema de saúde”
A mãe classificou o episódio como um descaso e questionou a estrutura oferecida aos pacientes.
“Até quando nossos filhos vão continuar sofrendo por falta de estrutura, material e preparo? Hoje foi o José, amanhã pode ser o filho de outra mãe.”
Hospital afirma que suspensão ocorreu por segurança do paciente
Em nota divulgada à imprensa, a direção do Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SESA), informou que a suspensão da cirurgia ocorreu por critérios técnicos e de segurança clínica.
Segundo a unidade, durante a preparação para o procedimento foram identificadas dificuldades fisiológicas momentâneas, levando a equipe médica a interromper a cirurgia para preservar a integridade da criança.
“Por ocasião do procedimento eletivo agendado, o HINSG esclarece que foi suspenso por critérios estritamente técnicos e de segurança clínica. Durante a preparação, a equipe médica identificou dificuldades fisiológicas momentâneas, optando pela interrupção do ato para preservar a integridade e a segurança do paciente”
A unidade também afirmou que todas as condutas adotadas seguiram protocolos internacionais de segurança do paciente.
Hospital abre apuração interna
A direção do hospital informou ainda que instaurou uma apuração interna para avaliar os fluxos assistenciais e de comunicação relacionados ao episódio.
Segundo a unidade, a análise tem como objetivo identificar possíveis falhas e promover melhorias nos processos de atendimento.
Após a repercussão do caso, a família informou que a cirurgia foi remarcada para o próximo dia 10 de junho.
Relembre o caso que chocou o ES
O nome de José Peisino ganhou repercussão em todo o Espírito Santo em agosto de 2025, quando a família denunciou que o recém-nascido sofreu uma grave queimadura no pé durante a internação no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra.
Na época, a mãe relatou que havia sido internada para indução do parto devido a uma gravidez de risco causada por pressão alta. José nasceu saudável, mas poucas horas depois foi levado para um berço aquecido por apresentar temperatura corporal abaixo do ideal.
Segundo Sara, enquanto a avó acompanhava o bebê, uma profissional teria utilizado um algodão aquecido para tentar aquecer o pé da criança. Pouco depois, familiares perceberam um forte cheiro de queimado e constataram que o recém-nascido havia sofrido uma grave lesão.
De acordo com o relato, a meia e o macacão do bebê também ficaram queimados.
Técnica de enfermagem foi demitida
O relatório divulgado pela Sesa concluiu que a profissional teria agido individualmente e sem seguir os protocolos estabelecidos pelo hospital.
Desde então, José segue realizando acompanhamento médico e tratamentos para minimizar as sequelas causadas pelo acidente.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
