A Polícia Civil (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, concluiu a investigação sobre a execução de Gustavo Emilio Ferri Adriano, de 24 anos, conhecido como “Alemão”, morto em 20 de outubro de 2025, no bairro Balneário de Carapebus, na Serra. O caso está relacionado a uma disputa territorial entre facções criminosas rivais PCV e TCP.

Segundo a corporação, dois suspeitos foram identificados e presos. André Makalle Falcão dos Santos, de 27 anos, apontado como liderança do tráfico na região, foi preso durante uma operação na zona rural de Conceição da Barra.
Leia Mais ∎
Já Felipe Pereira da Silva, de 21 anos, foi localizado e detido no estado de São Paulo. Ambos permanecem à disposição da Justiça.


Guerra do tráfico
As investigações indicam que o homicídio ocorreu dentro de um contexto de guerra pelo controle do tráfico em Balneário de Carapebus, envolvendo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e do Primeiro Comando de Vitória (PCV).
De acordo com o delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, o período entre agosto e outubro de 2025 registrou forte intensificação dos confrontos na região, com 23 ocorrências violentas, incluindo homicídios e tentativas de homicídio.
Ele destacou que o trabalho da DHPP Serra resultou na identificação de executores e mandantes, além de prisões consideradas estratégicas para conter a escalada de violência.
Alvo após mudança de facção
O chefe da DHPP da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, explicou que André Makalle já possuía histórico ligado ao tráfico de drogas e seria uma liderança do TCP no bairro durante o período de conflito.
Já o delegado adjunto Paulo Ricardo Gomes detalhou que a vítima teria sido recrutada para integrar o PCV, após ter histórico anterior de ligação com o TCP. Mesmo sem atuar diretamente no tráfico em 2025, Gustavo teria aceitado o convite e passou a realizar pichações em apoio à facção rival em áreas disputadas do bairro.
Essas ações teriam sido interpretadas como provocação pelo grupo adversário, o que teria motivado a execução.
Execução
Conforme a investigação, no dia 20 de outubro de 2025, Gustavo foi localizado na região conhecida como “Jamelão”, área de forte disputa territorial. Ele teria sido abordado por dois suspeitos em uma motocicleta.
A vítima tentou fugir, mas foi atingida por disparos de arma de fogo e morreu no local. Segundo a polícia, a ação foi planejada e executada de forma a dificultar qualquer reação.
Prisões
A prisão de André Makalle ocorreu em um cafezal na zona rural de Conceição da Barra, após trabalho de inteligência da polícia. Durante a detenção, os investigadores apreenderam o celular do suspeito, o que ajudou a identificar outros envolvidos e aprofundar a investigação.

Já Felipe Pereira foi preso em fevereiro de 2026, no estado de São Paulo.
A DHPP informou ainda que André também é investigado por outro homicídio ocorrido na mesma região, envolvendo a morte de um casal em novembro de 2025, caso que segue em apuração.
Durante patrulhamentos, a polícia também relatou que chegou a flagrar movimentações suspeitas e pichações relacionadas ao PCV na região pouco antes do assassinato, mas não conseguiu realizar abordagem imediata.
Impacto na população
O delegado Paulo Ricardo destacou que as disputas entre facções criminosas não têm relação com a proteção de moradores, sendo motivadas exclusivamente pelo controle territorial e pelo interesse financeiro do tráfico de drogas. Segundo ele, os grupos criminosos realizam ataques contra pessoas apontadas como rivais ou que contrariem seus interesses, como ocorreu no caso da morte do casal Bruno e Alessandra, que, conforme apurado pela polícia, não possuía ligação com o tráfico.
André Makalle Falcão dos Santos e Felipe Pereira da Silva foram denunciados e responderão por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme entendimento da Polícia Civil e do Ministério Público (MPES).
