Uma abordagem realizada pela Polícia Militar (PMES) na noite da última segunda-feira (20) terminou na prisão de um homem de 39 anos e na apreensão de seus dois filhos adolescentes, de 14 e 16 anos, no bairro Bela Vista, em Serra-Sede, na Serra. A ocorrência também foi marcada por momentos de tensão, com uso de spray de pimenta e balas de borracha durante a ação policial.
Segundo a Polícia Militar, equipes realizavam patrulhamento na região devido a registros de conflitos entre grupos criminosos quando avistaram um carro branco em atitude considerada suspeita.
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No veículo estavam o motorista, de 39 anos, um adolescente de 14 anos e uma adolescente de 16 anos, identificados como filhos do condutor.
Atitude suspeita
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais perceberam os ocupantes do veículo se abaixando ao notar a aproximação da viatura. A atitude chamou a atenção da equipe, que decidiu realizar a abordagem.
Ainda conforme os militares, durante a revista pessoal, o motorista teria se recusado a cumprir as determinações da equipe, dificultando os procedimentos de segurança adotados durante a abordagem.
Vídeo mostra momento de tensão
Imagens registradas por moradores, às quais a reportagem do Serra Noticiário teve acesso, mostram parte da abordagem.
Enquanto os policiais realizavam a revista no motorista, a adolescente de 16 anos se aproximou da equipe e iniciou uma discussão com um dos militares. Nas imagens, o policial pede para que ela se afaste e abaixe o dedo durante a discussão. Em seguida, ela é empurrada e acaba tropeçando em um degrau, caindo sentada na escada.
A cena provocou reação de moradores, que estavam registrando a abordagem e passaram a insultar os militares.
Vídeo YouTube SN:
Spray de pimenta e balas de borracha
Diante da aproximação de moradores, os policiais utilizaram inicialmente spray de pimenta para dispersar as pessoas. Na sequência, também foram efetuados disparos de balas de borracha.
De acordo com familiares, um jovem foi atingido no braço e no pescoço. Uma idosa de 65 anos, avó do motorista, também afirma ter sido atingida na perna e no braço durante a confusão.
Nada de ilícito foi encontrado
Após a abordagem, o veículo foi revistado pelos policiais, porém nenhum material ilícito foi localizado no carro ou com os ocupantes.
Mesmo assim, o motorista foi algemado e conduzido à Delegacia Regional da Serra por resistência durante a abordagem.
Os dois adolescentes também foram algemados e levados à Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE).
Família contesta versão
Em entrevista à repórter Ana Carolini Mota, do Balanço Geral ES, a mãe do motorista afirmou que o neto se exaltou durante a abordagem, mas negou que ele tivesse cometido qualquer crime.
Segundo ela, o homem trabalha como serralheiro e seguia com os filhos quando foi abordado. A idosa contou ainda que ele informava aos policiais que poderiam revistar o veículo porque não encontrariam nada de irregular.
Ela afirmou ser favorável ao trabalho da Polícia Militar, mas considera que a abordagem foi excessivamente truculenta.
Ainda segundo a familiar, o motorista seguia para um hospital porque não estava se sentindo bem e deixaria os filhos em outro local antes de receber atendimento, quando acabou sendo abordado pela Polícia Militar.
A versão apresentada pela família, no entanto, difere da relatada pelos militares. Segundo o boletim de ocorrência, após a abordagem, o homem pediu desculpas aos policiais e afirmou que ficou nervoso porque havia ido buscar a filha na casa de pessoas que considerava “marginais”.
Prisão e audiência de custódia
Após serem ouvidos, os dois adolescentes foram liberados. A adolescente de 16 anos assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi responsabilizada por ato infracional análogo aos crimes de desacato, resistência e desobediência.
Já o pai foi autuado em flagrante pelos crimes de resistência, desobediência, desacato e lesão corporal contra agente de segurança pública no exercício da função. Ele permaneceu preso, foi encaminhado ao sistema prisional e aguarda audiência de custódia.
Os familiares afirmam estar apreensivos, pois sustentam que o homem não possui envolvimento com atividades criminosas e esperam que ele seja colocado em liberdade.
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