Nesta manhã de quarta-feira (21), a Polícia Civil, por meio da Divisão Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), da Serra, anunciou durante coletiva de imprensa a prisão dos autores do assassinato de Bruno Pereira de Oliveira, de 35 anos, ex-dono da casa de show, Taberna Gastro Music Bar, no dia 28 de janeiro deste ano.
As pessoas acusadas de serem os mandantes e o intermediário do crime, são moradores da Serra, antes de serem presos, estavam morando no bairro Jardim Carapina.
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Detidos:
- Jadilson Conceição Gomes, 39 anos – Mandante principal
- Gleiciane Jesus Sá, 42 anos – Esposa de Jadilson e organizadora do crime
- Everton de Oliveira Vieira, 38 anos – Intermediário entre a vítima e o atirador
- Rodrigo Braga de Oliveira, 31 anos – Autor dos disparos, preso no Mato Grosso do Sul




As investigações tiveram acesso a áudios e imagens dos criminosos que assassinaram a tiros a vítima em seu próprio estabelecimento, localizado no Parque Residencial Laranjeiras.
O Delegado afirmou durante a coletiva que o crime foi premeditado com ampla divisão de tarefas entre quatro criminosos, sendo três homens e uma mulher, além de um quinto participante, que faleceu dias após o crime.

A motivação do crime, 200 mil reais
Segundo o Delegado titular do DHPP Serra, Sandi Mori, o comerciante tinha dificuldades em administrar o seu estabelecimento. Portanto, o empresário teria procurado ajuda de um casal de agiotas identificados como Jadilson Conceição Gomes, 39 anos e Gleiciane Jesus Sá, 42.
A vítima havia contraído diversos empréstimos com bancos, namorada, familiares e agiotas. Dentre esses empréstimos, o maior deles teria sido no valor de 100 mil reais com o casal de agiotas de Jardim Carapina.
No entanto, Bruno não conseguiu honrar com algumas parcelas desse empréstimo com o casal de agiotas, o que já teria lhe custado o próprio negócio, visto que ao final do ano passado, Jadilson já teria assumido o comando do Taberna, para usar os lucros do local como abatimento da dívida da vítima.
Porém, a rentabilidade da casa de shows não estava sendo suficiente para quitar as parcelas de Bruno. Jadilson propôs então uma renegociação dessa dívida, que já girava em torno de 200 mil reais, que seriam pagas em dez parcelas de 20 mil.
No entanto, a vítima novamente não conseguiu pagar duas das parcelas do empréstimo. Então, foi aí que os agiotas Jadilson Conceição Gomes e Gleiciane Jesus Sá, decidiram ceifar a vida do comerciante Bruno Pereira de Oliveira.
Contrato com atirador
Para tirar a vida de Bruno, os agiotas decidiram contratar Rodrigo Braga de Oliveira, 31 anos, para ser o executor do crime, por um valor de 100 mil reais. Onde metade seria pago em espécie, e a outra viria de uma sociedade em negócios do casal.
Gleiciane teria sido a responsável por fornecer o dinheiro para a compra da arma utilizada no crime, além de acertar com Rodrigo os valores pagos durante a sua fuga, após o assassinato de Bruno.
A ideia era que Rodrigo fugisse inicialmente para o município de Prado, na Bahia, para em seguida fugir para o Mato Grosso do Sul, onde ele inclusive já se encontra preso.
O Delegado salientou que o casal de agiotas costumava a atemorizar seus devedores, se utilizando inclusive de ameaças de morte e invasão de domicílios e confisco de pertences desses devedores, em casos de não pagamento das dívidas.
Plano de sequestro
Após acordado valores com Rodrigo, o casal contou com o apoio fundamental de Everton de Oliveira Vieira, 38 anos, que atuava como braço direito na cobrança de dívidas do casal, e trabalhou nesse caso como intermediador entre a vítima e os agiotas.
Para planejar o crime, os criminosos realizaram reuniões, sendo a última delas no dia anterior ao crime, que contou com a participação de Jadilson, Gleiciane, Everton e Rodrigo.
O plano principal dos quatro criminosos, era sequestrar Bruno e o assassinar em um local fora do bar, até para dificultar as investigações da polícia. Porém, devido ao alto número de pessoas que circulavam no estabelecimento, os bandidos perceberam que seria impossível realizar o sequestro.
No dia do crime, Everton ficou responsável por se encontrar com Bruno dentro do estabelecimento, e o segurar no local em uma posição estratégica para a chegada de Rodrigo, armado, que iria efetuar os disparos.
A execução do crime
No dia 28 de janeiro de 2022, Everton chegou ao estabelecimento Taberna Gastro Music Bar, e preparou o terreno para que cerca de 1h depois, Rodrigo chegasse em um veículo de modelo Gol branco, guiado por Asclepiades Vieira Soares Júnior, 31 anos, que estacionou alguns metros de distância do bar, para o desembarque de Rodrigo que andou de cara limpa até local.
Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento, mostram que por volta de 13h17, Everton está na porta do bar conversando com Bruno. Em seguida, quase que de supetão, Rodrigo aparece e dispara sete vezes contra o comerciante, atingido por cinco disparos pelas costas. Nas imagens, é possível ver que Everton assistiu friamente toda ação de Rodrigo. Confira as imagens abaixo:
Vídeo publicado no Twitter Serra Noticiário:
A investigação
A Polícia Civil teve acesso a áudios e imagens de câmeras de segurança, no momento do crime. Um dos pontos iniciais da investigação foi o comportamento de Everton Braga de Oliveira durante a execução de Bruno. O homem se mostrou frio e não esboçou reações durante o assassinato em que ele estava presente.
Além disso, Everton já teria obrigado Bruno a assinar uma confissão de dívida, que davam aos cobradores o direito de retirar bens móveis da Taberna, para quitar os vencimentos da dívida. No mesmo dia do crime, o homem foi conduzido até a delegacia para prestar depoimento, onde mentiu em diversos pontos.
Em uma conversa envolvendo Jadilson Conceição, é possível ouvir o mandante comentando e demonstrando estar irritado com o não pagamento da dívida. Em uma das conversas, Jadilson chega a afirmar que dia 20 de janeiro era o prazo limite. É do agiota ameaçando outros clientes, após homicídio do dono do Taberna.
“Juro pra você, dia 20, escuta bem o que eu tô te falando. Dia 20 ou dia 21, se ele não me der a “parada”, ele vai ver quem é o Jadilson”
A relação de dívida de Bruno com o casal de agiotas, além da participação direta de Everton na cena do crime foram determinantes nas investigações. Todos os quatro integrantes do crime foram presos.
Os criminosos foram indiciados por homicídio qualificado, com motivo torpe, com impossibilidade de defesa da vítima, associação criminosa, e já são réus em ação penal que corre perante a 3° Vara Criminal do júri.
Quinto integrante da quadrilha morto em Balneário de Carapebus
Asclepiades, o responsável por dirigir o veículo Gol branco, morreu dois dias após o crime. O homem foi espancado e morto ao lado de Laís Paula de Souza, 25 anos, em Balneário de Carapebus na Serra, no dia 30 de janeiro.

O crime já foi elucidado e cinco pessoas foram presas em maio deste ano. A motivação do crime teria sido uma suposta delação de Asclepiades, que tinha entregado para a polícia a localização da residência de um casal de traficantes em João Neiva.
O homem teria sido condenado no tribunal do crime pelo então gerente Floriano, vulgo Netão. Laís, teria sido morta como queima de arquivo, pois teria presenciado todo o caso.
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