Nesta terça-feira (11), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, apresentou o mecânico automotivo de 35 anos, identificado como Marcos de Jesus Silva, acusado de atacar uma mulher trans com golpes de facão na Serra, ele foi preso e indiciado por tentativa de homicídio qualificado. O crime ocorreu em 13 de janeiro, mas a investigação só começou uma semana depois, após a vítima deixar o hospital e registrar boletim de ocorrência no dia 20 de janeiro.
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De acordo com o delegado chefe da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, o acusado foi preso dentro do Tribunal Regional do Trabalho, onde compareceu para uma audiência. Após o término da sessão, ele foi abordado pelos policiais e levado à delegacia.
Segundo a Polícia Civil, Marcos confessou ter atacado a vítima, mas apresentou versões diferentes ao longo das investigações.

Crime aconteceu após discussão sobre pagamento de programa
De acordo com a versão da vítima, identificada como Tainara, ela estava na região do Copo Sujo, no bairro Jardim Limoeiro, quando foi abordada por Marcos. Eles acertaram um programa sexual no valor de R$ 50, que consistiria em sexo oral dentro do carro do suspeito.
O primeiro desentendimento teria ocorrido em relação ao uso de preservativo. No entanto, após a realização do programa, Marcos tentou efetuar o pagamento via Pix três vezes, mas a transferência falhou.
A vítima relatou que, ao perceber a resistência do cliente em pagar, começou a registrar imagens e vídeos da situação, o que teria irritado Marcos. Em seguida, ele pegou um facão de 30 a 40 cm que estava no banco de trás do carro, a retirou à força do veículo e a atacou violentamente.
O primeiro golpe atingiu a parte frontal da cabeça da vítima, causando um corte profundo e fratura no crânio. O segundo golpe, que seria direcionado ao rosto, foi interrompido pela mão da vítima, causando um corte profundo no dedo indicador e rompendo um tendão.
A vítima gritou por socorro, fazendo com que Marcos fugisse do local imediatamente.

Fuga e tentativas de ocultar provas
Após o crime, o suspeito escondeu o carro na casa de familiares e descartou o facão em uma área de mata no bairro Parque Residencial Tubarão.
Policiais realizaram buscas na região, mas não conseguiram localizar a arma do crime. Enquanto isso, a vítima foi socorrida ao hospital e passou por uma cirurgia para reparar os danos na cabeça e na mão.
A gravidade do ataque levou médicos a informarem que a vítima poderia ter morrido caso o golpe na cabeça tivesse sido um pouco mais profundo.
Prisão do suspeito após audiênciano TRT
Após reunir provas suficientes, a Polícia Civil solicitou e obteve um mandado de prisão temporária contra Marcos, expedido pela Terceira Vara Criminal do Júri da Serra.
O suspeito passou dias foragido, alegando que estava sendo ameaçado de morte. Entretanto, os investigadores descobriram que ele compareceria a uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho no dia 30 de janeiro.
Agentes da Polícia Civil disfarçados acompanharam sua movimentação e, após o término da audiência, deram voz de prisão a Marcos dentro do tribunal. Ele foi levado à delegacia, onde confessou o ataque, mas insistiu que teria agido para se defender.
Diante da violência do crime e da tentativa de fuga, a prisão temporária foi convertida em preventiva, e ele permanece detido enquanto aguarda julgamento.
Mudança na versão do suspeito
A Polícia Civil identificou que Marcos tentou se eximir da culpa criando diferentes versões para o crime.
No dia 23 de janeiro, dez dias após o ataque, ele registrou um boletim de ocorrência, alegando que parou em um posto de combustível para abastecer quando a vítima invadiu seu carro sem permissão e propôs um programa sexual. Após o ato, ela teria exigido R$ 2.000, ameaçando Marcos com um punhal. Ele teria reagido, pegado o facão e a atingido durante uma luta corporal.
Porém, ao prestar depoimento na delegacia com sua advogada, Marcos mudou sua versão novamente. Ele disse que já conhecia a vítima e que haviam feito um programa dois meses antes, sem desentendimentos.
Na nova versão:
Ele teria reconhecido a vítima na rua e proposto um novo programa. Ao tentar fazer o Pix, a mulher trans teria visto o saldo de R$ 5.068 na conta dele e exigido R$ 2.000 para não divulgar fotos e vídeos para a esposa do suspeito. Ele teria se desesperado e usado o facão para se defender.
Testemunha desmente versão de Marcos
A versão do suspeito foi contestada pelo frentista do posto de combustível, que testemunhou parte do crime e afirmou que não havia punhal algum com a vítima.
Além disso, vídeos gravados pela vítima antes do ataque mostravam Marcos tentando fazer o Pix sem nenhuma arma apontada para ele.
A polícia analisou as imagens e confirmou que não havia qualquer indício de que a vítima estivesse armada ou ameaçando o suspeito.
Histórico criminal do acusado
Durante a investigação, a polícia descobriu que Marcos já tinha passagens por posse ilegal de arma de fogo e munição:
- Em 2010, foi flagrado com munições não registradas.
- Em 2016, foi autuado por porte ilegal de arma de fogo.
A reincidência e a violência do ataque levaram o Ministério Público a solicitar a conversão da prisão temporária em preventiva, o que foi aceito pela Justiça.
Marcos será julgado por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima.
O delegado Sandi Mori, destacou que nada justifica o ataque, destacando que a vítima correu risco real de morte e que a violência praticada foi covarde e desproporcional.
Mais detalhes podem ser conferidos no vídeo abaixo, com a coletiva apresentada pelo delegado Sandi Mori.
Vídeo Youtube SN:
Reportagens anteriores sobre o caso:
- Vídeo: mulher trans é atacada com facão após cliente se recusar a pagar programa na Serra
- DHPP Serra prende homem que tentou matar mulher trans em posto de combustível
