Nesta quinta-feira (27), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, concluiu a investigação do assassinato de Osiel de Jesus Bispo, de 36 anos. Ele foi espancado, esfaqueado e morto por traficantes na região da Favelinha, no bairro São Diogo, na Serra. O crime ocorreu em 11 de março do ano passado.
O crime ocorreu após a vítima ser acusada de furtar fios de cobre de um motel, onde costumava usar drogas com a esposa para evitar o consumo em casa, na frente do filho.
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Vídeo mostra vítima sendo levada para execução em São Diogo
Imagens de câmeras de segurança mostram Osiel sendo conduzido por traficantes para um terreno baldio, onde foi realizado um tribunal do tráfico. A vítima aparece de calça jeans e sem camisa, acompanhada pela esposa, o proprietário do motel e criminosos armados com pedaços de madeira. Entre os envolvidos estavam Cauã, Jonathan, Guilherme, Adrian e três adolescentes, todos identificados pela polícia.
Vídeo X SN:
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— Serra Noticiário (@serranoticiario) February 27, 2025
DHPP Serra apresenta envolvidos em tribunal do tráfico que resultou em morte no bairro São Diogo
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Dinâmica do crime
No local, José Carlos, gerente do motel, confirmou aos traficantes que Osiel havia furtado o estabelecimento. Com a sentença decretada, Osiel tentou reagir contra Guilherme, iniciando uma luta corporal. Nesse momento, Cauã, Jonathan, Adrian e os adolescentes começaram a agredi-lo, usando paus, pedras, chutes e socos. Durante a agressão, um dos adolescentes, por acidente, acertou a cabeça de Guilherme, que precisou ser levado ao hospital, facilitando sua identificação pela polícia.
Após cerca de cinco minutos de espancamento, os criminosos deixaram o local, mas dois adolescentes retornaram e, ao perceberem que a vítima ainda agonizava no colo da esposa, quebraram uma garrafa de long neck e desferiram quatro golpes no pescoço de Osiel, causando sua morte no local.
Investigação e prisões
A Polícia Civil identificou e prendeu cinco adultos entre setembro e novembro do ano passado:






De acordo com o delegado chefe da DHPP Serra, Rodrigo Sandi Mori, todos confessaram participação no crime, exceto Adrian, que, por não ter antecedentes, responde ao processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. Os outros seguem presos preventivamente e são réus em ação penal por homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), associação criminosa e corrupção de menores.
O papel de José Carlos e a motivação do crime
A investigação apontou que José Carlos, ao invés de registrar um boletim de ocorrência pelo furto dos fios de cobre, decidiu buscar ajuda dos traficantes da Favelinha. Ele foi até a comunidade, chamou Cauã, Jonathan e os adolescentes, e participou ativamente da captura e condenação da vítima. Por esse motivo, ele também foi indiciado pelo homicídio.
José Carlos já tinha sido condenado por um homicídio em 2009, cumpriu pena até 2016, e, na época do crime, trabalhava como gerente do motel onde Osiel foi flagrado furtando os fios.
O delegado Sandi Mori orientou que as vítimas de crimes procurem a polícia, em vez de recorrerem ao tráfico de drogas.
É importante ressaltar que as pessoas precisam se conscientizar de que o tráfico nunca será a solução para seus problemas. O tráfico é covarde, oprime, mata e expulsa moradores pelo simples fato de desconfiar que eles estejam repassando informações para a polícia ou até mesmo se recusando a guardar drogas e armas em suas residências, certo? Por isso, orientamos que, caso alguém esteja nessa situação, procure uma delegacia ou denuncie práticas abusivas desses traficantes pelo telefone 181. A denúncia também pode ser feita pela nossa página no Instagram, @DHPPserra, onde o sigilo é garantido“
Rodrigo Sandi Mori
delegado chefe da DHPP Serra
Esposa da vítima tentou impedir a morte
A esposa de Osiel foi até o terreno baldio na tentativa de negociar com os traficantes para que o marido não fosse morto. Segundo o depoimento dela, ofereceu dinheiro para pagar o prejuízo, mas a “lei do tráfico” determinou que não havia acordo para furto dentro da comunidade.
Durante todo o espancamento, ela assistiu à cena sem poder fazer nada. Quando a vítima já estava inconsciente, ela ainda tentou reanimá-lo, mas os ferimentos eram graves.
Adolescentes envolvidos no crime
Os três adolescentes identificados participaram ativamente do crime. Um deles chegou a ser apreendido por outro homicídio, mas ficou internado apenas 45 dias e já está solto. Os outros dois foram detidos duas vezes por tráfico de drogas, mas seguem em liberdade aguardando decisão da Justiça sobre o assassinato de Osiel.
Mais detalhes sobre o caso podem ser conferidos no vídeo abaixo, que traz a entrevista coletiva do delegado Rodrigo Sandi Mori.
Vídeo Youtube SN:
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