A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, concluiu as investigações sobre o assassinato de Thiago Louzada Charpinel Goulart, de 43 anos. O crime ocorreu no dia 3 de janeiro de 2025, no bairro Vila Nova de Colares, na Serra. Em coletiva realizada nesta terça-feira (16), a corporação informou que três homens e uma mulher foram presos por envolvimento no caso.
Participaram da coletiva o delegado-geral da PCES, José Darcy Arruda; o chefe da DHPP da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori; e o delegado superintendente Agis Macedo. As informações a seguir foram apresentadas pelos investigadores durante a coletiva.
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O repórter Wal Júnior, do Serra Noticiário, acompanhou a coletiva. Confira no vídeo abaixo.
Vídeo Youtube SN:
Crime e modo de execução
Segundo a DHPP Serra, Thiago — motorista de aplicativo e professor de jiu-jítsu — foi atraído até a calçada da casa da ex-sogra para falar com a filha, de seis anos. Ao chegar ao local, por volta da noite, ele foi surpreendido por dois homens que chegaram em uma motocicleta. Um dos executores, identificado como Higor, aproximou-se da vítima vestido com uniforme e disparou quatro tiros na cabeça. Thiago morreu no local. Higor também foi indiciado pela morte de um pedreiro ocorrido no mesmo bairro.
A polícia diz que William conduziu a motocicleta que levou e deu fuga ao executor. O mandante, segundo os investigadores, é Luiz Fernando, apontado como chefe do tráfico na região conhecida como Rádio Paes/Campinho. Vanda (ex-sogra da vítima) é apontada como a pessoa que encomendou a execução e atraiu a vítima ao local. A mãe da criança morreu durante o parto, e agora ela ficou sem mãe e sem pai.
Motivação e artifício usado para atrair a vítima
A investigação concluiu que a motivação do crime estaria relacionada ao interesse do pai em ficar com a guarda da filha de 6 anos, por não aceitar a forma de educação dada pela avó. Diante disso, Vanda teria iniciado uma campanha de falsas acusações contra o genro.
Quinze dias antes do crime, ela teria procurado o chefe do tráfico e afirmado que o homem abusava da neta. Segundo a polícia, Vanda usou a criança para atrair Thiago: prometeu à menina uma caixa de bombons se ela chamasse o pai até a casa.
De acordo com relato de uma assistente social citado pela DHPP Serra, a menina disse que chamou o pai em troca do doce e que não sabia que ele seria morto. A garota também negou qualquer tipo de abuso por parte do pai. Segundo o delegado, a vítima era considerado um ótimo pai.
Dinâmicas da investigação e provas
Os policiais informaram que a elucidação do caso se baseou em:
- Análise de registros de comunicação (ligações e mensagens) entre Vanda e Thiago;
- Interceptações e áudios extraídos de aparelhos apreendidos;
- Depoimentos colhidos após prisões que encadearam a participação de cada envolvido;
- Apreensões realizadas durante as prisões (dinheiro, armas e anotações do tráfico).
Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, Vanda chegou a apagar ligações do próprio celular, mas a polícia recuperou registros nos aparelhos de Thiago. Também foram mencionados áudios que mostram a periculosidade de Higor e que facilitaram a identificação do executor.
Prisões e apreensões
A DHPP Serra detalhou a ordem das prisões: primeiro foi capturado o executor identificado como Higor; em seguida William (preso em 9 de julho), depois Luiz Fernando (preso em 19 de julho) e, por fim, Vanda (presa em 21 de julho). Na casa de Luiz Fernando, os investigadores apreenderam, segundo a polícia, R$ 14 mil em espécie, uma pistola calibre .380 com mira laser e anotações relacionadas ao tráfico. A investigação afirma ainda que o revólver calibre .357 foi a arma empregada na execução.

Enquadramento criminal
Os quatro foram indiciados por homicídio qualificado — motivo torpe e impossibilidade de defesa — e por outros crimes. A polícia também indiciou Luiz Fernando, William e Higor por associação ao tráfico, com aumento de pena pelo emprego de arma de fogo. Higor, segundo a DHPP Serra, já havia sido indiciado por outro homicídio em 21 de junho de 2024, com o mesmo padrão: execuções com disparos na cabeça.
Luiz Fernando, considerado o chefe do tráfico, pregava que, em áreas sob seu controle, estupradores e molestadores deveriam ser mortos. No entanto, em seu celular, a polícia encontrou diversas imagens de pornografia infantil. Diante disso, o delegado repassou as provas para a delegacia especializada, a fim de apurar mais esse crime.
Comportamento da suspeita e reações da polícia
Na coletiva, Sandi Mori ressaltou a frieza atribuída a Vanda. A polícia citou que poucas horas após o crime ela teria compartilhado vídeo da vítima morta com contatos pessoais e, dias depois, gravado a criança dançando, numa atitude que, segundo o delegado, demonstra insensibilidade e corroborou as suspeitas. “Ela é fria, calculista e dissimulada”, afirmou o delegado.
O chefe da DHPP Serra também afirmou as dificuldades iniciais da investigação, devido ao clima de medo na comunidade e à influência do tráfico. “Fizemos campana e aguardamos o momento certo para prender. Não sossegamos até elucidar o crime”, disse.
Situação da criança e medidas de proteção
A criança que atraiu o pai foi encaminhada para atendimento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Em depoimento à assistente social, a menina afirmou ter um bom convívio com o pai e negou qualquer abuso. Com a detenção de Vanda, a guarda da criança foi dada aos avós paternos.

Mais detalhes do caso podem ser conferidos no vídeo abaixo, com a fala do delegado Rodrigo Sandi Mori, realizada durante a coletiva de imprensa.
Vídeo Youtube SN:
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