A Polícia Civil (PCES) desarticulou um esquema milionário de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo tíquetes-alimentação na Grande Vitória. A operação resultou na prisão de duas pessoas e na investigação de uma mulher suspeita de participação no grupo criminoso.
Os investigados compravam cartões de alimentação de funcionários de empresas da região, prática proibida por lei. Em troca, ofereciam antecipação de valores por meio de dinheiro em espécie ou transferência via Pix. O grupo simulava compras em empresas de fachada, inclusive fora do Estado, retinha entre 20% e 40% do saldo como taxa e devolvia o restante ao trabalhador.
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Operação Onerado
A Polícia Civil realizou a Operação Onerado na última quinta-feira (26), mas divulgou os detalhes nesta terça-feira (03). Equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas cumpriram três mandados de busca e apreensão nos bairros Feu Rosa e Carapebus, na Serra, e em Goiabeiras, em Vitória.
Durante a ação, os policiais apreenderam 1.892 cartões de benefícios em nome de terceiros, quatro máquinas de cartão vinculadas a CNPJs suspeitos de serem utilizados por “laranjas”, quatro celulares, grande quantidade de documentos contábeis — como cheques e notas promissórias — e um carro de luxo, em uma casa no condomínio de luxo Boulevard Lagoa.

Segundo levantamento feito no momento da operação, apenas os cartões apreendidos somavam cerca de R$ 300 mil em saldo disponível. A equipe ainda analisa o material contábil recolhido, devido ao grande volume de documentos.
Desvio interno
As investigações começaram quando uma empresa identificou um desfalque financeiro. A apuração apontou que uma funcionária do setor financeiro desviava parte dos valores destinados à recarga dos tíquetes-alimentação para o próprio cartão.
De acordo com o chefe da Divisão de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DICCOR), delegado Tarik Halabi Souki, a funcionária procurou o grupo criminoso para viabilizar o saque dos valores desviados. O prejuízo estimado para a empresa chega a R$ 200 mil ao longo de 16 meses.
Desse total, cerca de R$ 50 mil ficaram com a organização criminosa, enquanto aproximadamente R$ 150 mil permaneceram com a funcionária, segundo a polícia.
O delegado adjunto da divisão, Vinicius Landeira, informou que a investigação identificou um núcleo operacional liderado principalmente por um casal, além de outras pessoas que realizavam o mesmo tipo de transação.
Esquema em Vitória
A polícia também descobriu que o grupo mantinha um ponto físico próximo à Avenida Fernando Ferrari, em Goiabeiras, Vitória, onde clientes passavam os cartões nas máquinas com deságio entre 30% e 40% para receber o valor em dinheiro. Além das simulações de compra, os investigadores apuram indícios de clonagem de cartões no local.
Conforme Landeira, o que inicialmente parecia apenas uma prática de antecipação de valores com cobrança elevada revelou um esquema mais amplo, com movimentações expressivas. Em determinados meses, o grupo chegou a movimentar quase R$ 1 milhão em cartões de diversos beneficiários.
A Polícia Civil agora apura a participação de outras pessoas e empresas, inclusive fora do Espírito Santo. As máquinas utilizadas no esquema estão registradas em CNPJs que ainda passam por análise para identificar se pertencem a empresas reais ou a negócios criados em nome de terceiros.
Segundo a corporação, o casal preso e a funcionária investigada confessaram participação e alegaram que não sabiam que a prática configurava crime.
