O emissário submarino voltou ao centro das discussões sobre o futuro do saneamento básico da Serra, maior município do Espírito Santo. O tema foi retomado pelo governador Ricardo Ferraço (MDB) durante a cerimônia de assinatura da ordem de serviço para a duplicação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Manguinhos, realizada nesta semana.
Segundo o governador, os investimentos anunciados atualmente ajudam a destravar o cenário imediato da construção civil, mas a expansão da Serra exigirá soluções estruturais mais amplas nos próximos anos.
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“Precisamos debater uma solução definitiva, isso passa por evoluirmos com discussão sobre a construção de um emissário submarino”
Ricardo Ferraço
Governador do ES
Projeto prevê investimento de R$ 380 milhões
Os estudos iniciais discutidos entre a CESAN e a AEGEA, responsável pela PPP do saneamento da Serra, apontam para um investimento estimado em cerca de R$ 380 milhões.
A proposta prevê a implantação da estrutura na região de Jacaraípe. O sistema seria dimensionado para acompanhar o crescimento populacional e urbano da Serra até o ano de 2050.
O que é um emissário submarino?
O emissário submarino é um sistema utilizado para lançamento controlado de efluentes tratados no mar. Antes do descarte, o esgoto passa por etapas de pré-tratamento. Depois disso, o material é lançado em alto-mar por meio de tubulações instaladas no fundo oceânico.
Nos metros finais da estrutura existem difusores responsáveis por espalhar o efluente em forma de pluma, reduzindo impactos ambientais. Esse tipo de sistema já é utilizado em diversas cidades do Brasil e do exterior.
Governo cita exemplo de Ipanema
Ao comentar o tema, Ricardo Ferraço citou o emissário submarino de Ipanema, no Rio de Janeiro, como referência. “O emissário é uma solução para vários lugares do Brasil, caso do Rio de Janeiro, em Ipanema, e em vários lugares do mundo, como na Europa”, afirmou.
O sistema carioca foi implantado nos anos 1970 e lança cerca de 6 mil litros de esgoto por segundo a aproximadamente quatro quilômetros da costa.
Para comparação, a ETE de Manguinhos, após a duplicação anunciada nesta semana, terá capacidade de tratamento de 200 litros por segundo.
Estrutura poderá lançar efluente a 3,5 km da costa
Os estudos preliminares para a Serra indicam a construção de quatro sistemas de tratamento integrados ao emissário submarino.
Segundo as projeções iniciais, o sistema teria capacidade para tratar até 1.198 litros de esgoto por segundo. O chamado “Sistema Jacaraípe” seria responsável por aproximadamente 76% de todo o esgoto gerado na Serra até 2050.
Por conta do volume elevado, o efluente tratado precisaria ser lançado a cerca de 3.500 metros mar adentro, em uma profundidade estimada de 40 metros.
Debate deve passar por audiências públicas
O governador ressaltou que o projeto ainda está em fase de discussão e que o tema será debatido publicamente antes de qualquer decisão definitiva. “Estamos dispostos a evoluir em um debate técnico e democrático. Não se trata de uma imposição”, afirmou.
Segundo ele, caso apareçam alternativas consideradas melhores durante as discussões técnicas e audiências públicas, elas também poderão ser analisadas.
Serra enfrenta gargalo histórico no saneamento
A discussão sobre o emissário submarino acontece em meio à pressão do setor imobiliário e empresarial da Serra.
Nos últimos meses, construtoras e entidades vêm reclamando da dificuldade para obter viabilidade sanitária para novos empreendimentos devido à limitação da atual rede de esgoto.
O sistema atual opera próximo do limite em diversas regiões da cidade, afetando diretamente o crescimento urbano e econômico do município.
A expectativa do governo é que as novas obras e futuras soluções estruturais permitam ampliar a capacidade de saneamento e acompanhar o avanço da Serra nas próximas décadas.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
