A família de Adelson Roque de Oliveira Trindade, encontrado morto no dia 15 de fevereiro em um ponto de ônibus, após deixar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Castelândia, na Serra, contesta a versão divulgada pela Secretaria de Saúde. Em conversa com o vereador da Serra, Pastor Dinho (PL), a mãe e a irmã afirmaram que ele não fugiu da unidade e que estava internado desde o dia 12. Elas acreditam que ele foi liberado após receber alta médica.
Em nota ao SN, Secretaria de Saúde da Serra voltou a reafirmar que, apesar das orientações e alerta realizados pelos profissionais quanto aos riscos da interrupção do acompanhamento, o paciente optou por deixar a unidade por decisão própria.
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Vereador Dinho entrevista família de Adelson
Ainda segundo a mãe de Adelson, a família o levou à UPA na tarde da quinta-feira, dia 12, após ele apresentar fortes dores e dificuldades para respirar. A equipe médica solicitou raio-x e exames de sangue e informou que ele permaneceria internado enquanto aguardava os resultados e uma possível transferência para outro hospital.
Ela ainda contou que voltou à unidade na sexta-feira e no sábado. Já no sábado, ao visitá-lo no período da tarde, percebeu que o quadro havia piorado. De acordo com o relato, o médico afirmou que aguardava resultados de exames para providenciar a transferência, pois o caso exigia tratamento mais complexo.
A família afirma que Adelson permaneceu internado em isolamento, após exames indicarem alterações no pulmão, inclusive fibrose pré-existente. A irmã relatou que ele ficou em um quarto fechado e que os profissionais não permitiam a entrada de familiares, permitindo apenas visualização através do vidro.
A mãe de Adelson contesta a informação de que o filho teria deixado a unidade sem autorização. Ela afirma que ele não conseguia andar sozinho, tinha falta de ar e mal conseguia falar. Segundo a família, a unidade contava com presença de guardas e policiais, o que, na visão deles, tornaria improvável uma saída sem controle.
Pedido de exames
A controvérsia aumentou após a divulgação de que Adelson teria deixado a UPA antes de receber alta. No entanto, a família sustenta que ele estava internado e que o documento citado na imprensa, uma guia de exames, com horário de liberação de exames às 22h40, refere-se a exames solicitados ainda na quinta-feira, dia da internação.
Relatório policial
O boletim de atendimento registrado pela Polícia Militar informa que os militares encontraram Adelson já sem vida em um ponto de ônibus próximo à unidade. No documento, consta a menção a uma suposta alta médica que estaria com ele. No entanto, a família afirma que não teve acesso a esse documento.
Durante a conversa, o pastor Dinho mencionou a informação de que os militares teriam localizado um documento de alta médica e perguntou se poderia ter ocorrido algum equívoco, como uma possível confusão com um pedido de exames.
A irmã também declarou que a UPA não entrou em contato com os familiares para informar eventual saída ou alta. Segundo ela, a família só recebeu a notícia da morte após comunicação feita posteriormente. Ela afirma que guarda os registros telefônicos e que não houve ligação da unidade.
Testemunha
Ainda conforme relato apresentado ao vereador, um funcionário da unidade teria informado informalmente que ouviu discussão sobre a liberação de Adelson e que ele saiu sozinho com mochila. A família entende que, se houve liberação, a responsabilidade não pode recair sobre o paciente, dadas as condições de saúde de Adelson.
A irmã de Adelson relatou que o laudo aponta que o irmão apresentava pneumonia lobar, além de outras complicações pulmonares. Para a família, o quadro era grave e exigia internação e transferência para hospital com mais recursos.
A família pede que o caso seja apurado e que todas as circunstâncias sejam esclarecidas.
Vídeo Instagram:
Notícia de que Adelson abandonou a UPA
Em nota divulgada à imprensa após a notícia do encontro do cadáver, a Secretaria de Saúde da Serra confirmou que o paciente esteve na UPA de Castelândia, mas não recebeu alta da equipe médica.
Segundo a pasta, ele deixou a unidade por conta própria por volta das 18h, antes do horário previsto para a liberação dos exames laboratoriais. As equipes teriam orientado sobre a necessidade de permanecer no local, mas o homem optou por sair.
No entanto, diante do relato da família, procuramos novamente a secretaria, por meio da Prefeitura da Serra, para comentar as informações dos parentes.
Secretaria de saúde diz reafirmar que o paciente deixou o local por conta própria
Por nota, a Secretaria de Saúde da Serra disse lamentar profundamente o falecimento do paciente e se solidariza com os familiares neste momento de dor. Informamos que o paciente deu entrada na UPA de Castelândia no dia 12 de fevereiro, sendo avaliado pela equipe médica e posteriormente internado em leito de isolamento para acompanhamento, diante do quadro clínico apresentado. Ressaltamos que conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é proibida a divulgação de qualquer informação referente ao atendimento do paciente.
Ainda de acordo com a nota, no dia 14 de fevereiro, familiares estiveram presencialmente na UPA e foram informados sobre o quadro clínico e sobre a necessidade de permanência para continuidade do tratamento. Na mesma data, apesar das orientações e alertas realizados pelos profissionais quanto aos riscos da interrupção do acompanhamento, o paciente optou por deixar a unidade por decisão própria.
Por fim, a Secretaria informa que segue reunindo e analisando todos os registros assistenciais relacionados ao caso, colaborando com os órgãos competentes para o completo esclarecimento dos fatos.
