Na última semana, nossa reportagem acompanhou com atenção o caso da morte de Ashley Leppaus, uma menina de apenas 9 anos, moradora do bairro Vila Nova de Colares, na Serra. Segundo relato detalhado da família, Ashley faleceu após não receber diagnóstico correto de apendicite em três tentativas consecutivas de atendimento na rede pública de saúde.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal da Serra (PMS), que informou ter notificado as unidades de saúde envolvidas para instaurar uma apuração interna do caso da morte de Ashley Leppaus.
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Ashley e sua família buscaram atendimento na UPA de Castelândia
A reportagem conversou com o pai de Ashley, que nos revelou que tudo começou na manhã domingo, 19 de outubro, quando a menina apresentou fortes dores abdominais. A família a levou à UPA de Castelândia, onde ela passou por exame de sangue, recebeu diagnóstico de gastroenterite e saiu medicada. Os profissionais orientaram que retornassem apenas se os sintomas persistissem.
Família levou a criança para UPA do Hospital Materno Infantil da Serra
Contudo, como os sinais pioraram, a mãe procurou novo atendimento na segunda-feira, 20 de outubro, desta vez na UPA do Hospital Materno Infantil. Lá, Ashley recebeu pulseira verde, classificação que indica baixa prioridade clínica, e não realizaram nenhum exame complementar. Diante da preocupação da mãe — que questionou a possibilidade de apendicite aguda — o médico de plantão descartou a hipótese com desdém, segundo a família.
Vídeo Youtube SN:
Mãe de Ashley alertou os médicos sobre o possível apendicite
Inclusive, a mãe teria informado à equipe médica que quando era criança também havia sofrido de apendicite, e que esse poderia ser o mesmo caso de sua filha na ocasião. No entanto, a equipe médica da UPA do Materno Infantil teria descartado completamente essa hipótese.
Inclusive, a reportagem teve acesso a um vídeo registrado pela mãe de Ashley, em que a menina aparece na sala de espera da UPA do Hospital Materno Infantil, visivelmente com dores aguardando atendimento.
Sendo assim, mesmo com a criança apresentando dores e o alerta da mãe sobre o possível apendicite, a equipe médica deu alta e encaminhou a menina Ashley de volta para sua casa.
Ashley entrou em estado grave e retornou à UPA
Na terça-feira, 21 de outubro, de acordo com o pai de Ashley, a menina já estava em estado clínico crítico. Assim, a família conta que a menina teve vômito e acabou desmaiando, sendo levada novamente à UPA de Castelândia, onde ela já teria chegado desacordada. Em seguida, a equipe a encaminhou imediatamente para a emergência, onde teriam feito o procedimento reanimar a criança.
Após estabilização inicial, a menina foi transferida para o Hospital Infantil de Vitória (antigo HPM). De acordo com a família, ao chegar no Hospital, a equipe tentou reanimar menina mais uma vez e tentaram a entubar. No entanto, Ashley não resistiu e faleceu em decorrência de uma apendicite não diagnosticada há três dias.

Família atribui morte da menina a falha no sistema de saúde
Sendo assim, a família vem lidando com o luto e a indignação da morte da menina Ashley. O fato de terem buscado atendimento médico por três vezes e ainda terem sugerido o diagnóstico (correto) de apendicite, que foi ignorado pelos médicos, deixou a família com a sensação de que a morte da menina poderia ter sido evitada, se não fosse as falhas e mal atendimento da rede de saúde municipal da Serra.
Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Como a família culpa os atendimentos realizados na UPA de Castelândia e a UPA do Materno Infantil pela falha, na última segunda-feira (03), a reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra para questionar se:
- Há alguma investigação interna nas unidades envolvidas — UPA de Castelândia e Hospital Materno Infantil — para apurar possíveis falhas no atendimento prestado à Ashley?
- O médico que atendeu no Materno Infantil atua sob supervisão? Quais critérios são utilizados para a escala e atuação de médicos recém-formados em plantões de urgência?
- Existe um protocolo de reavaliação de pacientes que retornam com sintomas persistentes ou agravados?
Secretaria de Saúde irá instaurar apuração interna
Por meio de nota, ainda na segunda-feira, a Secretaria de Saúde da Serra (SESA) informou que notificou as organizações sociais responsáveis pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) para entender o caso e que irá instaurar uma apuração interna para tomar as medidas necessárias.
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
