A reportagem do Serra Noticiário teve acesso, por meio da publicação do Agente Dias (Republicanos) nas redes sociais, ao caso de Marcos Antônio Escobar Domingues, 31 anos, morador da Serra, que morreu na manhã do dia 7 de novembro de 2025, apenas cinco horas após ser atendido na UPA de Carapina. A família acusa a unidade de negligência e questiona falhas graves no atendimento.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal da Serra (PMS) pedindo esclarecimentos sobre o ocorrido. Em nota, a Secretaria de Saúde lamentou a morte de Marcos Domingues e informou que solicitou o afastamento dos profissionais de saúde envolvidos para que se tomem as medidas cabíveis.
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Três dias de sintomas e piora antes de buscar ajuda
De acordo com familiares, Marcos apresentava febre, dor de cabeça e vômitos havia cerca de três dias. Na madrugada de quinta-feira (06) para sexta-feira (07), o quadro piorou rapidamente, e ele passou a sentir forte falta de ar, sendo levado à UPA de Carapina pouco depois da meia-noite.
Família afirma que UPA não realizou nenhum exame
Registros e depoimentos de pessoas próximas apontam que Marcos não passou por qualquer exame complementar como Raio-x, exame de sangue e verificação de saturação de oxigênio durante atendimento na UPA de Carapina.
Segundo a família, o atendimento foi rápido e superficial. Ele teria recebido apenas dipirona e, possivelmente, outro medicamento simples. Depois disso, foi liberado para casa por volta das 3h da madrugada.
Últimas mensagens e morte horas depois
Às 4h, Paloma — ex-esposa de Marcos — conta que enviou uma mensagem desejando melhoras. Às 8h26, ela relata que ele respondeu apenas: “obrigado”. Menos de uma hora depois, às 9h20, Marcos foi encontrado sem vida.
O atestado de óbito aponta pneumonia lobar bilateral grave, infecção severa que atinge os dois pulmões e que, segundo médicos especialistas consultados pela reportagem, poderia ter sido identificada com exames básicos.
Morte poderia ter sido evitada com diagnóstico adequado
Após a morte de Marcos, profissionais indicam que um simples raio-x de tórax, somado à avaliação clínica adequada, levaria ao diagnóstico imediato de pneumonia. Com antibióticos, oxigenação e possível internação, Marcos poderia ter tido grande chance de sobrevivência. A ausência de exames configura, segundo especialistas, uma falha grave no protocolo de atendimento emergencial.
Família relata abandono após o óbito
A ex-esposa, Paloma, e o filho, Brian, afirmam que até hoje não receberam qualquer apoio da Prefeitura da Serra, Assistência Social ou Secretaria de Direitos Humanos. A família diz estar completamente desamparada após a perda, sem orientação nem suporte institucional.
Outras mortes recentes reforçam a gravidade
O caso reacende críticas recorrentes ao atendimento de urgência na Serra, especialmente em situações que deveriam ser tratadas como graves, mas acabam recebendo tratamento superficial.
O caso de Marcos foi semelhante a outros que também ocorreram em 2025 em unidades de saúde da Serra:
- Melvin, de 28 anos: morreu no dia 5 de abril de 2025 na recepção da UPA de Castelândia, após passar pela UPA de Serra-sede e pelo Hospital Jayme sem atendimento adequado.
- Ashley, de 9 anos: recorreu à UPA do Hospital Materno Infantil por três vezes antes de morrer no dia 21 de outubro em decorrência de um apendicite não identificado.
Vídeo Instagram:
Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Diante do caso e da suspeita de negligência médica que supostamente causou a morte de Marcos, na última segunda-feira (08) a reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra questionando:
- A gestão tem conhecimento do caso de Marcos ocorrido na UPA de Carapina?
- Foi instaurada alguma investigação interna sobre o atendimento prestado?
- Por que exames básicos, como raio-x e gasometria, não estão sendo realizados rotineiramente em casos suspeitos?
- Existe fiscalização sobre a conduta médica e o tempo de permanência dos pacientes nas UPAs?
Secretaria de Saúde pediu afastamento dos profissionais
Nesta terça-feira, a Secretaria de Saúde da Serra (SESA) respondeu lamentando o ocorrido que causou a morte de Marcos. A secretaria afirmou que solicitou o afastamento dos profissionais envolvidos no atendimento de Marcos e está adotando todas as medidas cabíveis.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria de Saúde da Serra lamenta o ocorrido e informa que solicitou o afastamento dos profissionais envolvidos no atendimento do paciente Marcos Antônio Escobar Domingues e vem acompanhando o caso, adotando todas as medidas administrativas cabíveis para garantir a transparência e a segurança na prestação dos serviços de saúde no município.”
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
