Na última semana, a reportagem do Serra Noticiário recebeu o relato da família de Bruna Torres, de 43 anos, que faleceu após ser submetida a uma curetagem no Hospital Materno-Infantil da Serra. A paciente havia sofrido perda gestacional de seis semanas e procurou espontaneamente a unidade na terça-feira (11), apresentando dor abdominal e sangramento.
A Secretaria de Saúde da Serra (SESA) se pronunciou sobre o caso lamentando a morte de Bruna e se colocou à disposição para prestar apoio à família da paciente. Em nota, a secretaria afirmou que a equipe realizou a contenção cirúrgica imediata e providenciou a transferência para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves. Além disso, a Pasta afirmou que solicitou o afastamento dos profissionais envolvidos, acompanha o caso de forma contínua e adotará todas as medidas administrativas necessárias.
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Mulher morre após realizar curetagem no Materno Infantil
A reportagem conversou com a cunhada de Bruna, que deu detalhes dos últimos dias da paciente antes de vir a óbito. Segundo relatos da família, Bruna perdeu o bebê de 6 semanas e após esse ocorrido, começou a apresentar dores e sangramento. Antes do atendimento na terça-feira, Bruna estava consciente, andando e dirigindo-se ao hospital por conta própria.
Ao chegar no Hospital Materno Infantil, Bruna foi internada e recebeu medicamentos abortivos, conforme protocolo. No entanto, como os fármacos não surtiram o efeito esperado, foi encaminhada à cirurgia.
“Na quarta-feira, às sete horas da noite, ela entrou na sala de cirurgia, porque os abortivos não estavam surtindo efeito, e eles resolveram fazer o procedimento, a curetagem. Foram três horas de cirurgia. Ela saiu da sala por volta de 22h40.”
Procedimento e piora clínica
Segundo a família, o procedimento de curetagem foi realizada na quarta-feira (12), com início às 19h e término por volta das 22h40. Após o retorno ao quarto, Bruna começou a reclamar de dores intensas, queda na pressão arterial e diminuição dos batimentos cardíacos.
Em todo o momento, Bruna esteve acompanhada pela mãe, profissional da área de enfermagem, que, segundo a família, identificou sinais de piora clínica ainda durante a noite e comunicou a equipe médica. No entanto, a intervenção teria sido tardia.
“A noite inteira foi assim, nessa agonia. Pela manhã, por volta das 9 horas, mais uma vez minha sogra relatou que tinha algo errado e mencionou a saturação. Quando viram que ela entendia do assunto, acenderam o alerta. A enfermeira chamou a médica, que percebeu que ela não estava bem, e decidiram levá-la para a sala de exame, a ultrassonografia. De lá mesmo, mandaram ela novamente para o centro cirúrgico.”
Durante a madrugada de quinta para sexta-feira (14), o quadro se agravou. Diante da gravidade, Bruna foi transferida ao Hospital Jayme dos Santos Neves (HJSN). Lá, foi submetida a nova cirurgia e constatou-se perfuração no útero e no intestino, decorrente do procedimento anterior.
Óbito após complicações
Apesar da intervenção cirúrgica no HJSN, o estado de Bruna já era irreversível. Ela não resistiu e veio a óbito por volta das 5h da manhã de sexta-feira (14).
“Fizeram a cirurgia, contiveram o sangramento e ela foi levada para o CTI, por volta de 19h de quinta-feira, para tentar se recuperar. O médico conversou e disse que o estado era crítico, muito grave, que seria só por um milagre, porque ela já tinha infecção, a pressão estava baixa… enfim, era muito grave. Quando foi meia-noite, de quinta para sexta, ela faleceu, mas só nos avisaram às 5 horas da manhã de sexta-feira. Ligaram pedindo para irmos ao hospital e então informaram o óbito dela.”
Família aponta falhas no atendimento do Materno Infantil
A família aponta falhas no monitoramento pós-operatório e na rapidez do encaminhamento, considerando que a demora no diagnóstico e na transferência agravou o quadro.
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Reportagem entrou em contato com a Prefeitura da Serra
Diante do caso, na última quarta-feira (19) reportagem do Serra Noticiário entrou em contato com a Prefeitura da Serra para questionar se:
- O hospital já foi notificado oficialmente sobre o ocorrido? Há registro de notificação de evento adverso relacionado ao caso?
- Foi instaurado algum tipo de investigação interna ou auditoria clínica para apurar as circunstâncias do óbito?
- Quais foram os protocolos seguidos durante e após a cirurgia de curetagem? O paciente recebeu monitoramento contínuo no pós-operatório?
Secretaria de Saúde pede afastamento dos profissionais envolvidos
Nesta quinta-feira (20) a Secretaria de Saúde emitiu uma nota lamentando o ocorrido e informou que a paciente recebeu avaliação completa no Hospital Municipal Materno, onde um exame de ultrassom identificou líquido no abdômen, levando à realização de uma laparotomia exploradora que constatou lesões intestinais e conteúdo fecaloide. Após estabilização cirúrgica, ela foi transferida para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves. A Pasta afirmou que afastou os profissionais envolvidos, acompanha o caso de forma contínua e adotará todas as medidas administrativas necessárias, ressaltando ainda que, por conta da LGPD e do sigilo médico, não pode fornecer mais detalhes sobre a paciente.
Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria de Saúde da Serra lamenta profundamente o ocorrido, se coloca à disposição da família para todo o apoio necessário e informa que a paciente deu entrada no Hospital Municipal Materno da Serra, passando por avaliação médica completa. Um exame de ultrassonografia de abdômen total evidenciou a presença de líquido na cavidade abdominal. Diante disso, foi indicada uma laparotomia exploradora, na qual foram identificadas lesões em alças intestinais e conteúdo fecaloide intra-abdominal. A equipe realizou a contenção cirúrgica imediata e providenciou a transferência para o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves.
A Secretaria ressalta que solicitou o afastamento dos profissionais envolvidos no atendimento e vem acompanhando o caso de forma contínua, adotando todas as medidas administrativas cabíveis para garantir a transparência e a segurança na prestação dos serviços de saúde no município.
Por fim, a Pasta destaca que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo médico, não é possível fornecer informações adicionais sobre o estado de saúde ou dados pessoais da paciente.”
O Serra Noticiário continua acompanhando o caso de perto e trará atualizações assim que possível.
