Um policial militar identificado como Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, é apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) como líder de uma organização criminosa especializada em furtos e roubos de motocicletas no município da Serra. O militar já se encontra preso, após ter sido detido por agredir a própria esposa, que também é policial militar, durante o Carnaval deste ano.
A revelação veio à tona nesta quinta-feira (05), durante a Operação “Mácula”, deflagrada pela Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DRFV) em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). A ação teve como objetivo cumprir seis mandados de busca e apreensão contra investigados por participação no esquema criminoso.
Leia Mais ∎
As diligências ocorreram nos bairros Barcelona, Porto Canoa, Enseada de Jacaraípe, Laranjeiras e Praia de Capuba, todos na Serra.
Investigação começou após prisão por receptação
De acordo com a Polícia Civil, a investigação teve início em 2024, após a prisão em flagrante de um jovem de 18 anos, suspeito de receptação de motocicleta roubada.
Durante as investigações, policiais realizaram extração de dados de aparelhos eletrônicos, o que permitiu identificar mensagens, contatos e conversas que indicavam a existência de uma organização criminosa estruturada voltada ao furto de motocicletas na Serra.
A análise desse material apontou que o grupo teria uma liderança centralizada, atribuída ao policial militar Marcelo Ramos Araújo.
Suspeita de aliciamento de adolescentes
As apurações indicam que o militar utilizaria abordagens policiais para aliciar adolescentes, que seriam posteriormente utilizados para praticar furtos de motocicletas.
Segundo as investigações, os jovens realizavam os furtos e depois entregavam os veículos ao grupo criminoso, que ficaria responsável por adulterar os sinais identificadores das motos.
Após a adulteração, os veículos eram repassados ou revendidos, inclusive por meio de anúncios em plataformas na internet, dificultando a rastreabilidade das motocicletas furtadas.
A estratégia de utilizar menores de idade também seria uma forma de reduzir a exposição direta dos líderes da organização criminosa.
Policial já estava preso por violência doméstica
O policial militar investigado já se encontrava preso no momento em que a operação foi deflagrada. Ele foi detido após agredir a esposa durante o período de Carnaval, caso que também ganhou repercussão dentro das corporações de segurança.
A prisão ocorreu em decorrência da violência doméstica contra a companheira, que também integra a Polícia Militar.

A partir desse episódio, as investigações sobre a atuação do militar em outras práticas criminosas ganharam novos desdobramentos.
Mandados foram cumpridos em cinco bairros da Serra
Durante a Operação “Mácula”, equipes da Polícia Civil e da Corregedoria da PMES cumpriram seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
As diligências ocorreram nos seguintes bairros da Serra:
- Barcelona
- Porto Canoa
- Enseada de Jacaraípe
- Laranjeiras
- Praia de Capuba
O objetivo das buscas foi localizar provas, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam aprofundar as investigações e ajudar a identificar outros integrantes da organização criminosa.
Significado do nome da operação
Segundo a Polícia Civil, o nome “Mácula” faz referência ao significado da palavra, que remete a mancha ou desonra.
A escolha simboliza a conduta de agentes que, ao se envolverem em práticas criminosas, acabam manchando a imagem das instituições de segurança pública.
