O cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, responsável pela execução de duas mulheres na manhã da última quarta-feira (08), no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, já era investigado por outro caso que resultou na morte de uma mulher trans em 2022.
Na ocasião, o militar atirou contra a mulher trans conhecida como Lara Croft, no bairro Alto Lage, também em Cariacica. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu. Desde então, o cabo permaneceu afastado das atividades nas ruas e passou a atuar internamente, como guarda de quartel no 7º Batalhão da Polícia Militar.
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De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Lopes Rubim, o policial atendia a uma ocorrência no momento do disparo em 2022. Segundo a versão inicial, a vítima estaria com um barbeador e teria tentado atacar o Luiz Gustavo e outro policial militar.
Moradores da região, no entanto, contestaram essa versão. Eles relataram que a vítima costumava fazer brincadeiras durante abordagens policiais e que já teria sido ameaçada anteriormente por agentes que não aprovavam o comportamento.
Conforme o comandante-geral, o policial efetuou um disparo que resultou na morte da vítima, foi denunciado pelo Ministério Público (MPES) e, desde então, estava afastado das atividades nas ruas.
Afastamento e nova ocorrência
O envolvimento do policial no caso mais recente, da última quarta-feira (08), que terminou com a morte de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, após uma confusão envolvendo a ex-companheira dele, foi tratado como uma situação excepcional.
Segundo o comandante, ao tomar conhecimento da briga, o militar solicitou apoio a uma equipe que estava em serviço e acompanhou a viatura até o local. Ainda não há confirmação se ele tinha autorização para deixar o posto onde atuava, o que também será apurado.
“O que temos até agora é preliminar. Ele se entregou, colocou a arma no chão. Outras pessoas, inclusive policiais, serão ouvidas. É uma ocorrência muito complexa e muito infeliz”, declarou Rubim.
Investigação em andamento
O comandante reforçou que a conduta do policial não representa a atuação da corporação.
“Nossa missão é garantir segurança à população. Lamentamos profundamente o ocorrido e seguimos firmes no compromisso de proteger as pessoas.”
Coronel Ríodo Lopes Rubim
Comandante-geral da PMES
O processo referente à morte da mulher trans em 2022 ainda tramita na Justiça, segundo a Polícia Militar. O afastamento do policial ocorreu de forma preventiva enquanto o caso segue em análise.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Tribunal de Justiça do Estado (TJES) ainda não se manifestaram sobre o andamento do processo.
Sobre o caso mais recente, a Polícia Civil (PCES) informou, por meio de nota, que a ocorrência é tratada inicialmente como crime militar e, por isso, não foi encaminhada à Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).
