Na noite da última quinta-feira (30), a Polícia Civil (PCES), em atuação conjunta com o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), a Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) e a Corregedoria Geral da instituição, prendeu o investigador Herbert Henrique de Sousa, de 41 anos, e o amigo dele, Odair José Rodrigues de Andrade, de 52 anos. Eles se envolveram em uma confusão que terminou com uma mulher baleada em uma distribuidora de bebidas localizada na Avenida Abdo Saad, em frente à Praça Encontro das Águas, na região de Jacaraípe.
O caso aconteceu na noite da última quarta-feira (29), quando o investigador, acompanhado de Odair, se envolveu em uma confusão com uma funcionária do local. Durante a discussão, ele teria agredido a vítima e tomado o celular dela. A mulher reagiu e, com um golpe usando uma barra de ferro, conseguiu derrubar o aparelho das mãos do policial. Na sequência, a arma do investigador caiu no chão, momento em que Odair a pegou e efetuou disparos contra a vítima.
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Abordagem e liberação inicial
Logo após o crime, o investigador e Odair foram detidos pela Polícia Militar em um posto de combustíveis. A arma utilizada no crime foi apreendida, assim como munições. Os dois foram levados à Delegacia Regional da Serra, onde foram apresentados ao delegado de plantão.
Após ouvir os envolvidos, a Polícia Civil decidiu liberá-los inicialmente e encaminhou o caso para investigação. Até aquele momento, o delegado não tinha acesso às imagens, e não havia o registro da versão da vítima, que estava sendo atendida no hospital. A arma, que pertence à corporação, foi recolhida, e o porte de arma do investigador foi suspenso.
Além do afastamento, o servidor passou a atuar em função administrativa, enquanto a Corregedoria instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta.
Prisões
De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Luiz Gustavo Ximenes, após a análise das imagens, a Justiça decretou a prisão temporária dos dois homens. A decisão foi assinada pela juíza Bissolina Lage, da 3ª Vara Criminal da Serra.
O investigador foi preso em casa, não reagiu à abordagem, em uma ação acompanhada pela Corregedoria da Polícia Civil. Durante a ação, os agentes apreenderam armamentos, materiais relacionados à função e um revólver sem registro, o que configura crime de posse ilegal de arma de fogo.
A prisão de Odair ocorreu em sua residência, localizada no bairro Castelândia. Ainda conforme o delegado Luiz Gustavo Ximenes, ao perceber a chegada da equipe, ele tentou fugir pelos fundos da casa, mas foi contido e preso. No local, nada de ilícito foi apreendido. Segundo o delegado, Odair seria como um irmão de consideração de Herbert e não possuía passagens pela Justiça.
Vídeo YouTube SN:
Tiros na distribuidora
O caso aconteceu na noite de quarta-feira (29), e imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o policial se aproxima da vítima, de 31 anos, funcionária do estabelecimento, e, após tentar pegar o celular das mãos da mulher, inicia as agressões. A vítima reage e tenta se defender, até o momento em que o investigador saca a arma durante a confusão.
Em seguida, a mulher tenta retornar para o interior do estabelecimento, porém é seguida pelo policial, que desta vez consegue tomar o aparelho de suas mãos. Nesse momento, ela atinge o investigador com uma barra de ferro, fazendo com que o celular caia no chão, além da arma que ele havia guardado na cintura. Quando o investigador se abaixa para pegar o celular da vítima, o homem que o acompanhava pega a arma que estava no chão e realiza vários disparos contra a mulher, que é atingida nas costas e na perna.
Testemunhas relataram que o investigador chegou ao local aparentemente embriagado e tentou comprar bebidas. Durante o pagamento, ele teria se desentendido com funcionárias da distribuidora, o que deu início à confusão. A funcionária teria pegado o celular para acionar a polícia e, após isso, as agressões começaram. Após os disparos, os dois deixaram o local.
Equipe da Polícia Militar prestou socorro à vítima
Uma equipe da 14ª Companhia Independente da Polícia Militar foi até o local após ser acionada e socorreu a vítima, que foi encaminhada ao Hospital Estadual Dr. Jayme dos Santos Neves. Até o momento, não há atualização oficial sobre o estado de saúde dela.
Acidente em 2025
Em outubro de 2025, Herbert se envolveu em um acidente de trânsito na Rodovia ES-010, na Serra, após colidir o veículo que dirigia. Na ocasião, a filha dele, de 5 anos, ficou ferida e precisou ser socorrida ao hospital com escoriações leves. Segundo a Polícia Militar, o investigador apresentava sinais de embriaguez e se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ele foi conduzido à Delegacia Regional da Serra, onde acabou autuado em flagrante por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e por dirigir sob influência de álcool, sendo posteriormente encaminhado ao sistema prisional.
Prisão temporária e investigações
Após a prisão temporária dos envolvidos, a Polícia Civil informou que o caso segue em fase inicial de investigação e que novas diligências ainda serão realizadas para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência.
De acordo com a delegada adjunta da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), Fernanda Diniz, equipes recolheram imagens de câmeras de segurança da distribuidora ainda durante os primeiros levantamentos. O material, incluindo o aparelho DVR do estabelecimento, será encaminhado para perícia. A delegada destacou que a análise técnica das imagens será fundamental para esclarecer a sequência dos fatos.
Além das imagens já obtidas, a Polícia Civil informou que ouviu testemunhas e a própria vítima, que segue recebendo atendimento médico em um hospital da Serra. As versões apresentadas pelos envolvidos são contraditórias e estão sendo analisadas pelos investigadores, que buscam reunir elementos técnicos e testemunhais para esclarecer o caso com precisão.
A Polícia Civil informou ainda que novas imagens poderão ser coletadas, além da identificação de outras testemunhas e da análise individual da conduta de todos os envolvidos. Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Civil segue apurando a conduta funcional do investigador.
