Novos e chocantes detalhes sobre a prisão do professor de 45 anos, ocorrida na última quinta-feira (08), na Serra, foram revelados pela Polícia Civil. O caso, classificado pelos delegados como “abjeto e repugnante”, envolve pelo menos oito vítimas identificadas, sendo seis em Vila Velha e duas na Serra. O homem utilizava sua posição de autoridade em escolas municipais para criar um sistema de exploração e abuso contra adolescentes de 10 a 16 anos.
O início: coragem de uma mãe e a denúncia na Serra
O esquema começou a ruir em 19 de novembro de 2024, na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A denúncia partiu de uma mãe na Serra, alertada pela escola após uma situação atípica: uma colega de classe da vítima percebeu conversas de cunho sexual no celular do amigo durante um trabalho escolar.
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Ao confrontar o adolescente e ver o conteúdo das mensagens, a mãe da colega levou o caso à direção da escola, que acionou a família. No atendimento psicossocial, a vítima relatou que o professor utilizava o Instagram com o “modo temporário” ativado para fazer convites insistentes para saídas à praia, cinema e à sua própria residência.
Modus Operandi: notas, Pix e a “falsa fama”
O professor, que também era cantor de uma banda, utilizava sua suposta proximidade com dançarinas para atrair alunos que se declaravam heterossexuais, prometendo encontros.
Em Vila Velha, onde atuou como substituto em 2023, o crime era ainda mais direto. Segundo o delegado Glauber Lacerda, o suspeito monitorava alunos com dificuldades escolares e oferecia uma proposta criminosa: “Só escreva o seu nome na prova, o resto deixe comigo”. Em troca da aprovação, os estudantes deveriam enviar fotos de seus órgãos genitais.
Mesmo após sair da rede municipal de Vila Velha em 2024, ele continuou o assédio via redes sociais, desta vez oferecendo:
- Dinheiro: Transferências via Pix entre R$ 30 e R$ 50.
- Presentes: Promessas de objetos de desejo, como pranchas de surfe.
A prova técnica: Pastas organizadas por escola
Durante a busca e apreensão no apartamento do suspeito, a Polícia Científica encontrou um vasto material de pornografia infantil. O professor mantinha arquivos digitais organizados de forma meticulosa: pastas com as iniciais de cada escola onde lecionava e, dentro delas, subpastas com as iniciais dos alunos, contendo fotos deles com uniforme escolar e imagens íntimas enviadas sob coação.
O agravamento: ameaças e abuso físico no banheiro
O caso tomou proporções ainda mais graves em fevereiro de 2025. Um adolescente de 12 anos, na Serra, relatou que o professor o flagrou com um celular na escola e usou o fato para chantageá-lo. Sob a ameaça de “ter o domínio do histórico do celular”, o professor obrigava o menino a acessar sites de pornografia e pedofilia.
A vítima relatou ainda um episódio de estupro de vulnerável, em que foi seguida pelo professor até o banheiro da escola. Lá, o homem cometeu atos libidinosos e o ameaçou: “Eu sei onde você mora e conheço sua família”. O trauma resultou em mudanças comportamentais severas; o menino de 12 anos passou a ter medo do escuro e a pedir para voltar a dormir com a mãe.
A prisão: monitoramento aéreo e esconderijo
Após ser solto em uma audiência de custódia anterior por crimes menos graves, o novo mandado de prisão preventiva foi expedido devido ao caso de estupro na Serra.
A subsecretaria de Inteligência (SESP) montou uma operação de prioridade. Na última quinta-feira (8), equipes monitoraram a residência dos pais do suspeito, na Serra. Com o auxílio de monitoramento aéreo para evitar fugas e a suspeita de esconderijos dentro do imóvel, a polícia efetuou a prisão rápida, sem chance de resistência.
O professor, que optou pelo direito de permanecer em silêncio, foi indiciado por diversos crimes sexuais e agora segue à disposição da Justiça no sistema prisional.
