Na madrugada deste sábado (28), equipes da 14ª Companhia Independente da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) detiveram um indivíduo que se apresentou como proprietário de uma distribuidora de bebidas, após ele se recusar a fechar o estabelecimento localizado no Bairro das Laranjeiras, na região da Grande Jacaraípe, no município da Serra. Durante a detenção, o sujeito resistiu à ação dos militares, o que gerou confusão e revolta entre os funcionários.
Versão registrada pelos militares
A reportagem do Serra Noticiário teve acesso ao relatório registrado pela equipe da Polícia Militar que atendeu a ocorrência. Segundo os militares, a ocorrência teve início, após frequentadores de um evento conhecido como “Baile do Mandela”, serem dispersados. Em seguida, os militares perceberam um grupo de pessoas se deslocando em direção à avenida Guarani. Durante a dispersão, os militares ouviram algumas dessas pessoas gritando que o rock agora seria em uma distribuidora de bebidas, próxima de onde ocorria o baile clandestino.
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Ainda conforme os militares, as equipes seguiram até o local e encontraram cerca de 100 pessoas reunidas, incluindo mulheres com crianças de colo e indivíduos já conhecidos pelo envolvimento com o tráfico de entorpecentes.
Como já se aproximava das 2h da manhã, os militares decidiram verificar o funcionamento do estabelecimento, que, segundo eles, contraria a Lei Municipal nº 6121/2024 — a qual determina que distribuidoras devem operar apenas entre 7h e 23h.
Durante a abordagem ao estabelecimento, um sujeito se apresentou aos militares alegando que o local não era uma distribuidora, mas sim uma conveniência. A afirmação foi contestada pelos militares, já que havia no local uma placa com a inscrição “Distribuidora de Bebidas”. No momento em que os militares determinaram o fechamento do comércio, o indivíduo, sem se identificar, teria dito: “Está para nascer um policial que faça eu fechar isso aqui”.
Neste momento, os militares solicitaram que o sujeito se identificasse formalmente para assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Diante da recusa, os policiais militares informaram que ele seria encaminhado à 3ª Delegacia Regional da Serra. O indivíduo insistiu em não apresentar documentação e ainda tentou retornar ao estabelecimento, resistindo à abordagem. Sendo assim ele foi contido e algemado.
Ainda conforme os militares, durante a tentativa de detenção, diversos clientes e funcionários da distribuidora começaram a hostilizar os militares, proferindo ofensas como “a polícia tem que se f…”, “tem que tomar tiro” e “são bandidos fardados”. A aglomeração se intensificou, e uma mulher que seria esposa do indivíduo detido, tentou intervir na ação dos militares que utilizaram spray de pimenta para conter a aproximação.
O sujeito foi detido e encaminhado para a delegacia, onde foi identificado. Segundo o boletim, ele apresentava escoriações leves nos joelhos e cotovelos, causadas durante a resistência à abordagem.
Testemunha contraria versão registrada pelos militares
A reportagem do Serra Noticiário também recebeu o relato de uma testemunha, que preferiu não se identificar, e afirmou ter presenciado a ação das equipes da PM. Segundo ela, os militares agiram com agressividade e usaram força excessiva contra o homem detido e sua esposa.
De acordo com essa testemunha, o estabelecimento teria autorização para funcionar naquele horário e, supostamente, seria uma loja de conveniência. A pessoa relatou ainda que, mesmo sem apresentar resistência, o suposto proprietário foi agredido e imobilizado de forma violenta por um dos militares, sendo lançado ao chão antes de ser conduzido à delegacia.
Ainda conforme o relato, a esposa do homem tentou intervir em meio à confusão e, ao se aproximar dos policiais, também teria sido agredida. A testemunha afirma que a mulher caiu no chão após receber um chute e recebeu borrifadas de spray de pimenta diretamente no rosto.
A testemunha classificou a ação como um episódio de abuso de poder e reforçou que o casal não reagiu à abordagem. Além do relato, a testemunha também enviou vídeos que registram a ação dos militares.
