Nesta manhã de sábado (22), um morador bolsonarista encontrou e desmanchou o que seria um trabalho de “macumba” no trevo de Serra-sede, no município de Serra, região metropolitana do estado do Espírito Santo. A dúvida inicial da reportagem foi se a atitude do homem no vídeo em desmanchar a “macumba” pode ser considerada como intolerância religiosa ou com algo parecido como legítima defesa.
Porém após publicação do vídeo sobre o caso no Instagram do Serra Noticiário, surgiu diversos comentários supondo que a “despacho” pode ser fake, apenas uma encenação bolsonarista. Em outro comentário de um serrano, ele abriu a possibilidade que o “despacho” tenha sido realizado a favor da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro.

Mas a reportagem conversou com Babaloxá Gio Pomba, um dos maiores Pai de Santo no complexo do Nova Carapina.
De acordo com Gio Pomba após análise das imagens, o trabalho provavelmente foi realizado na madrugada de sábado (22), devido ao simbolismo atrelado ao número 22 e o fato de também ser o número do partido PL do candidato à reeleição a presidente do Brasil.
Ainda de acordo com o Pai de Santo, o fato do trabalho ter sido realizado justamente no pé da placa de (PARE) e em uma encruzilhada de alto fluxo de pessoas, demonstra que esse trabalho de “despacho de encruzilhada” foi feito por uma pessoa experiente, levando suspeitas que o despacho seja de padrão Bahia, devido ao alto padrão de simbolismo.
O Pai de Santo finalizou afirmando que o “despacho de encruzilhada” indicado foi realizado para o orixá Exu, que não é possível apontar ser objetivo é fazer mal ou bem a campanha do 22.
Vídeo abaixo publicado no Instagram Serra Noticiário:
Curiosidades:
No Brasil, a palavra “macumba” designa de forma popular e equivocada toda oferenda aos orixás. O termo correto para isto, no Candomblé, seria o “ebó” ou “padê”. Já na Umbanda seria “despacho“.
Exu é um orixá guardião da comunicação, que faz parte das religiões originárias da África, como Candomblé e da Umbanda. É uma das entidades mais conhecidas e cultuadas pelos adeptos dessas religiões no Brasil.
