Nesta quarta-feira (04), a Polícia Civil (PCES) apresentou detalhes da operação que apreendeu R$ 200 mil na BR-101 e impediu a compra de fuzis que abasteceriam o tráfico de drogas no bairro Planalto Serrano, na Serra. A ação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).
A quantia foi interceptada na última sexta-feira (27), após troca de informações entre os setores de inteligência das corporações.
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A inteligência identificou plano para compra de fuzis
O titular da Divisão Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DFRV), delegado Luiz Gustavo Ximenes, explicou que a investigação começou após um alerta da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
“Nós recebemos uma informação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Serviço de Inteligência, de que traficantes iriam adquirir armamento de grosso calibre, que seriam fuzis, na favela da Rocinha”, afirmou.
Segundo o delegado, as equipes identificaram que o armamento seria destinado ao fortalecimento do tráfico em Planalto Serrano e que o responsável pela articulação seria Diego, conhecido como “Astro”, apontado como liderança do tráfico na região.

De acordo com Ximenes, o suspeito já foi preso por tráfico de drogas e associação ao tráfico, chegou a se evadir do sistema prisional capixaba e, atualmente, está preso no interior do Rio de Janeiro.
O delegado destacou a gravidade da ação. “Esse intercâmbio de informações com a Polícia Civil do Rio nos permitiu evitar que esse armamento chegasse ao Espírito Santo, justamente para impedir o avanço dessa guerra de facções”, declarou, ao citar disputas envolvendo grupos criminosos como TCP, PCV e Comando Vermelho.
Cerco montado na BR-101
Com base nas informações levantadas pela PCES e pelo Cerco Inteligente do Estado, as forças de segurança passaram a monitorar veículos suspeitos que saíam da Serra em direção ao Rio de Janeiro.
O chefe da delegacia da PRF em Viana, Marcel Haase, explicou como a corporação atuou na rodovia.
“Tudo que passa pela rodovia é fiscalizado por nós. Mediante essa informação, colocamos equipes específicas para atender à demanda e realizar as devidas abordagens”, disse.
Haase ressaltou que organizações criminosas costumam usar estratégias para despistar a fiscalização, como colocar casais e crianças nos veículos ou utilizar carros como “batedores”.
“A quadrilha tenta ludibriar a fiscalização. Muitas vezes, usam veículos para verificar se há policiais na rodovia ou até pessoas que não têm ligação direta com o crime organizado”, explicou.
Ele destacou que, além da verificação estrutural do veículo, os agentes analisam o histórico, o trajeto e as informações prestadas pelos ocupantes durante a abordagem.
Dinheiro escondido em bolsa de bebê
O diretor da Diretoria de Operações (DIOP) da Polícia Penal, Weleson Vieira de Souza, detalhou a abordagem do veículo onde o dinheiro foi encontrado.
Segundo ele, as investigações começaram a partir do envolvimento de um foragido da Justiça do Espírito Santo, que teria se evadido em 2021 e continuado a comandar o tráfico em Planalto Serrano.
Durante a operação, as equipes receberam a informação de que um veículo transitava pela BR-101 possivelmente ligado ao esquema. O carro foi localizado nas proximidades da Ceasa, em Cariacica.
“Foi dada voz de abordagem, o condutor encostou o veículo. Fizemos a revista pessoal e nada de ilícito foi encontrado. Depois, realizamos buscas no interior do veículo”, relatou.
No banco traseiro estavam uma mulher, apresentada pelo motorista como esposa, e um bebê de oito meses, acomodado em um bebê-conforto. No porta-malas, dentro de uma bolsa infantil, os agentes localizaram a quantia em dinheiro. “Posteriormente, foi constatado que se tratava de R$ 200 mil em espécie”, afirmou o diretor.

Destino do dinheiro
O motorista colaborou durante a abordagem e confirmou o valor. No entanto, apresentou versões diferentes sobre a origem e o destino do dinheiro. Inicialmente, afirmou que fazia uma viagem de passeio ao Rio de Janeiro para comemorar o aniversário da esposa, que de fato ocorria na data da abordagem. Depois, declarou que utilizaria o valor para comprar um imóvel no estado fluminense.
Diante das contradições, os agentes encaminharam o caso à autoridade policial para aprofundamento das investigações.
Plano de fuga
As investigações também apontaram a existência de um plano para resgatar Diego do presídio onde ele está custodiado no interior do Rio de Janeiro. A ação, no entanto, acabou frustrada após o avanço das informações levantadas durante a operação.
Mesmo detido, a Polícia Civil afirma que ele continuava exercendo influência sobre a organização criminosa e coordenando ações de dentro da unidade prisional.
Sucesso da operação
A delegada do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), Gabriela Enne, destacou que a integração entre as forças de segurança foi decisiva para o resultado da operação. “A atuação conjunta e o compartilhamento de informações de inteligência foram fundamentais para impedir que recursos do crime fossem utilizados tanto na compra de armamento quanto no fortalecimento de organizações criminosas”, afirmou.

