A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), detalhou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (18) os bastidores chocantes do assassinato da manicure Mirian de Oliveira Soares, de 39 anos. O crime ocorreu no último dia 12 de maio, no bairro Serra Dourada I, na Serra, mas o corpo só foi localizado no sábado (16), enterrado no quintal da residência. O irmão da vítima, Abraão de Oliveira Soares, de 42 anos, foi preso em flagrante por ocultação de cadáver e responderá por feminicídio.
O repórter do Serra Noticiário, Wal Junior, acompanhou de perto a coletiva de imprensa no Departamento de Homicídios, em Vitória, onde colheu os detalhes do caso.
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Durante a coletiva conduzida pela delegada Gabriela Enne da DEHPP, a polícia revelou que o crime foi motivado por uma discussão banal. Abraão estava mexendo na rede de esgoto do imóvel quando a água suja acabou respingando nas plantas que Mirian cuidava com muito carinho. Os dois iniciaram uma forte discussão por conta disso. Aproveitando-se do momento em que a mãe havia saído, o acusado atacou a irmã com extrema violência, desferindo múltiplas facadas que atingiram o peito, a cabeça, a nuca e o pescoço da manicure. Uma enxada foi localizada no quintal e o suspeito apresentava marcas nas mãos, possivelmente causadas pelo esforço físico para cavar a cova da própria irmã.

Frieza diante do desespero da mãe
O sumiço de Mirian mobilizou familiares em buscas intensas e um boletim de ocorrência por desaparecimento chegou a ser registrado no dia 14. A Delegacia de Pessoas Desaparecidas realizou buscas na região e utilizou até mesmo sistemas de reconhecimento facial em terminais, sem sucesso. Enquanto a mãe, a senhora Magali Moraes de Oliveira Soares, de 64 anos, procurava pela filha desesperadamente pelo bairro dia e noite, Abraão demonstrou uma indiferença classificada pelas autoridades como assustadora.
“Demonstrou uma frieza absurda, assim, de uma forma que você vê ali um desprezo pela vida humana. Inclusive dentro de casa ele continuou mantendo a vida dele normal, assistindo à televisão e vendo a mãe procurando durante diversos dias seguidos e ele não se prontificava em ajudar”, destacou a delegada Gabriela Enne. No dia do sumiço, a mãe chegou a encontrar o quintal sujo de terra e o filho parado olhando fixamente para o canteiro. Ao ser questionado, ele inventou que havia brigado com Mirian e que ela tinha saído para a rua por vontade própria.

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Mãe pediu sinal a Deus antes de achar o corpo
O desfecho trágico aconteceu no sábado (16), quando a senhora Magali decidiu lavar roupas no quintal. Tomada pelo nervosismo do desaparecimento, ela pediu um sinal a Deus e, na sequência, sentiu um forte cheiro de algo apodrecido vindo em direção ao seu nariz. Ao caminhar pelo terreno, percebeu que a terra perto das plantas da filha estava remexida. Ao começar a afastar a terra com as mãos, deparou-se com a barriga de Mirian enterrada.
Em choque, a mãe deu um grito e chamou pela outra filha. Imediatamente, a família acionou as forças policiais de forma estratégica, sem deixar que Abraão percebesse, pois a mãe já tinha a certeza de que o filho era o assassino. Como mostrado anteriormente pelo boletim da Polícia Militar obtido pelo Serra Noticiário, os policiais subiram ao segundo andar e prenderam o suspeito em um dos quartos. Diante da revolta dos vizinhos, que tentaram invadir a casa para linchar o homem, a PM precisou usar algemas e pedir reforço do CPU para garantir a integridade da equipe e do preso.
Histórico de agressões e rejeição da mãe
A suspeita imediata da mãe não foi por acaso. Segundo as investigações da Polícia Civil, Abraão possui um histórico doméstico altamente agressivo. Ele já havia ameaçado e agredido a mãe, as irmãs e o próprio pai — que morou no local até 2023 e possuía um boletim de ocorrência contra o filho por ter sido ameaçado com uma faca. Além disso, o ambiente familiar era marcado por conflitos frequentes porque Mirian não aceitava o fato de o irmão, de 42 anos, viver desempregado e ser totalmente sustentado pela mãe.
Na delegacia, Abraão apresentou diversas versões desconexas e conflitantes até decidir exercer o seu direito constitucional de permanecer em silêncio. A delegada Gabriela Enne explicou que, por terem se passado quatro dias entre o assassinato e a localização do cadáver, não foi possível realizar a autuação em flagrante pelo homicídio devido à ausência do estado flagrancial. Contudo, ele foi autuado em flagrante por ocultação de cadáver — considerado um crime permanente — e o inquérito será enviado para a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), onde ele será indiciado por feminicídio.
Profundamente revoltada e inconformada, a mãe desabafou e garantiu que não dará nenhum tipo de suporte ao filho. “Criar um filho com tanto amor, com tanto carinho, com tanta luta, e depois esse filho se transforma em um monstro. Não, ele vai pagar. Ele vai apodrecer na cadeia. Não vou pagar advogado, não vou visitar, não vou fazer como muitas mães fazem que fica alisando a cabeça do filho e o filho tá errado. Ele vai pagar o que ele fez com a minha filha, porque é uma menina boa, uma menina querida por todo mundo, ela não merecia isso”, pontuou Magali Soares.
Abraão, que nunca havia sido preso antes, foi transferido para o Centro de Triagem de Viana, onde permanecerá trancado à disposição do Poder Judiciário.
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