Nesta quinta-feira (02), a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), divulgou detalhes da investigação que localizou uma adolescente de 14 anos desaparecida junto com o irmão, um bebê de 1 ano e 8 meses, desde o último dia 26 de junho. Os dois foram encontrados na última terça-feira (30), em uma casa no bairro Jacaraípe, na Serra. Segundo as investigações, a adolescente levou a criança porque sonhava em ser mãe.
De acordo com o chefe da Divisão Especializada da Região Metropolitana (DIV-DRM), delegado Leonardo Ávila, a investigação apontou que a adolescente levou o irmão porque sonhava em ser mãe. Segundo a Polícia Civil, essa motivação foi identificada após os investigadores ouvirem familiares, um ex-namorado, vizinhos e moradores da região onde ela vivia. Ainda conforme a corporação, a adolescente apresentava o bebê como se fosse seu filho biológico e chegou a fazer publicações nas redes sociais afirmando que a criança era seu filho.
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A Polícia Civil também informou que pessoas próximas relataram um episódio em que a adolescente ficou frustrada após realizar um teste de gravidez que apresentou resultado negativo.
Música ajudou a localizar o imóvel
A investigação recebeu uma denúncia que indicava a rua onde a adolescente poderia estar com o irmão. No entanto, a equipe conseguiu identificar o imóvel exato por causa de uma música que tocava na residência.
Ainda conforme o delegado Leonardo Ávila, a adolescente enviava mensagens de áudio para familiares pelo WhatsApp e, em uma delas, era possível ouvir a mesma música que estava sendo reproduzida na casa onde ela foi localizada.
“Foi uma abordagem muito tranquila, ela não resistiu. Perguntamos onde estava a criança e ela disse que estava no quarto. Era uma casa que não parecia ser de uma família, mas sim de pessoas que haviam se juntado ali para fazer uso de drogas”, relatou.
Acolhimento
Após ser localizada, a adolescente foi encaminhada para a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE).
Depois da audiência, o Juizado da Infância e da Juventude decidiu não manter a internação da adolescente e determinou que ela fosse encaminhada para acolhimento institucional, onde receberá acompanhamento psicossocial.
O bebê foi entregue à avó, com quem já morava antes do desaparecimento.
Segundo o delegado Leonardo Ávila, a adolescente vive em um contexto de vulnerabilidade social e emocional. Ele afirmou que a família enfrenta dificuldades relacionadas ao abandono parental e à falta de vínculos afetivos, fatores que, segundo a investigação, fazem parte da realidade vivida pela jovem.
Caso é tratado como subtração
Apesar do desaparecimento da criança por vários dias, a Polícia Civil informou que o caso não é investigado como sequestro.
De acordo com o delegado, a tipificação adotada é a de subtração de incapaz, já que o bebê não permaneceu confinado durante o período em que esteve com a irmã. Conforme a investigação, a adolescente circulou por diversos bairros e cidades da Grande Vitória em busca de um local para permanecer, tendo recebido recusas de abrigo em alguns momentos.
