Um caso inusitado gerou grande repercussão após ser registrado por câmeras de segurança. Um detento, que estava sendo transportado para uma consulta médica, foi flagrado sem algemas almoçando na companhia de dois policiais penais em um restaurante de um shopping na Avenida Abido Saad, no bairro Parque Jacaraípe, no município da Serra. Após divulgação do caso, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi aberto e os policiais penais foram afastados das escoltas dos detentos.
O caso ocorreu no último dia 8, por volta das 13h17. As imagens mostram dois policiais penais saindo de uma viatura acompanhados de um detento não identificado. O vídeo registra o momento em que a viatura para próximo ao restaurante, e o preso abre a porta do passageiro do veículo e sai caminhando calmamente pela rua, sem algemas, acompanhado dos policiais penais. Em seguida, eles entram no restaurante, onde os três se acomodam para almoçar.
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O proprietário do restaurante, André Luís Costa, afirmou que não suspeitou que o homem fosse um preso. “Ele não estava de uniforme, poderia ser um prestador de serviço. Para mim, era apenas mais uma pessoa com eles“, comentou.
Vídeo YouTube SN:
Detento com bom comportamento
Embora sua identidade não tenha sido divulgada, a Secretaria de Justiça do Espírito Santo (SEJUS) informou que o detento está preso há três anos em uma unidade de Linhares, no Norte do estado, onde cumpre pena por homicídio. Segundo o secretário de Justiça, Rafael Pacheco, o preso possui histórico de bom comportamento e remissão de pena considerável.
Motivo da escolta
O detento estava sendo transportado para uma consulta médica na capital. As imagens foram registradas no momento do retorno ao presídio, após o atendimento. De acordo com a SEJUS, ele estava sendo reconduzido à unidade prisional em Linhares, onde cumpre sua pena.
Resposta do governo
A Secretaria de Justiça tomou conhecimento do ocorrido no dia 12 de novembro, quando as imagens começaram a circular. Em resposta, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Os policiais penais envolvidos foram afastados das funções de escolta e realocados para outras atividades na unidade prisional de Linhares.
Investigação e possíveis consequências
A investigação do caso deve ser concluída em um período de 30 a 90 dias, conforme informações da SEJUS. O secretário Rafael Pacheco destacou que há regras e procedimentos específicos para o transporte de presos, especialmente em locais públicos. “Algemas são indispensáveis para dificultar possíveis fugas e garantir o controle policial durante o procedimento”, afirmou.
Sindicato dos policiais penais
A Polícia Penal afirmou, em nota, que o caso será encaminhado à corregedoria para a apuração dos fatos, já que a conduta dos agentes contraria os procedimentos orientados pela instituição.
O presidente do Sindicato dos Policiais Penais e Servidores do Sistema Penitenciário do Espírito Santo (Sindppenal), Rhuan Fernandes, explicou que, em situações excepcionais, como atrasos no transporte, os agentes podem adquirir marmitas para os presos. Entretanto, ele ressaltou que o comportamento registrado não é comum na categoria. “Ficamos impressionados com as imagens. Isso definitivamente não reflete a conduta padrão dos nossos profissionais”, concluiu.
A reportagem do Serra Noticiário continuará acompanhando o caso e, assim que houver novas informações, traremos atualizações aos nossos leitores.
