O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), José Darcy Arruda, pediu demissão do cargo na última sexta-feira (03). O governador Ricardo Ferraço anunciou a decisão nas redes sociais e informou que o desligamento ocorre por motivos de saúde e pela proximidade da aposentadoria.
Arruda comandava a corporação há mais de sete anos. Segundo o governador, o Estado agora iniciará a análise de nomes para definir o novo chefe da Polícia Civil.
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Em publicação, Ferraço destacou a atuação do delegado durante o período. Ele afirmou que o trabalho foi marcado por compromisso com a segurança pública e avanços institucionais.
Motivo da saída
Nas redes sociais, José Darcy Arruda confirmou a decisão e explicou que enfrenta novamente um tratamento de saúde. Ele relatou que já passou por cinco diagnósticos de câncer ao longo da vida e que foi acometido pela doença mais uma vez.
O delegado informou que passará por um procedimento cirúrgico no dia 10 de abril e destacou que precisa priorizar o tratamento e a recuperação, com a serenidade e a dedicação que o quadro exige.
Polêmicas
A demissão acontece em um cenário de desgaste recente. Arruda foi citado em uma denúncia encaminhada à Polícia Federal (PF) por suspeita de coação de testemunha.
A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que prestou depoimento em uma investigação federal. O documento também pede apuração de possíveis crimes, como abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação.
O caso está relacionado à Operação Turquia, que apura um esquema de desvio de drogas apreendidas para uma organização criminosa que atua na Ilha do Príncipe, em Vitória.
Reportagem do Fantástico
A situação ganhou repercussão nacional após reportagem exibida no Fantástico, no dia 29, que apresentou o depoimento do delegado.
Arruda nega as acusações e afirma que não tentou interferir em investigações. Segundo ele, a intenção era apenas obter documentos citados no depoimento.
Conflitos internos
Além da denúncia, a Polícia Civil também enfrentou conflitos internos recentes. Um dos episódios envolveu o delegado Romualdo Gianordoli Neto, ex-subsecretário de Inteligência da Segurança Pública.
Após ser exonerado, ele fez críticas públicas à corporação e apontou possíveis interferências em investigações, incluindo a Operação Baest.
A Secretaria de Segurança contestou as declarações e determinou apuração, alegando possível divulgação indevida de informações sigilosas. Arruda também move ação judicial contra o delegado.
Mudança no governo
A saída do delegado ocorre logo após a posse de Ricardo Ferraço como governador, na quinta-feira (02), após a renúncia de Renato Casagrande.
Durante o discurso de posse, Ferraço afirmou que pretende manter as diretrizes da gestão anterior e reforçou o compromisso com a população capixaba.
Escolha do novo comandante
Com a saída de Arruda, o governo deve definir em breve um novo nome para comandar a Polícia Civil, em meio a investigações em andamento e pressão institucional sobre a corporação.
