A advocacia capixaba vive um novo momento de tensão institucional após o rompimento público entre a presidente da OAB-ES, Érica Neves, e a presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES), Kelly Andrade. O conflito ganhou força nos últimos dias e já provoca divisões internas entre subseções da Ordem no Espírito Santo.
Eleição histórica deu lugar à crise institucional
A atual gestão foi eleita em novembro de 2024 em uma composição considerada histórica para a advocacia capixaba.
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Na ocasião:
- Érica Neves tornou-se a primeira mulher presidente da OAB-ES
- Kelly Andrade assumiu como primeira mulher presidente da CAAES
Menos de dois anos depois, o cenário passou de união política para um ambiente de disputa interna e acusações públicas.
Processo ético marca ponto de ruptura
O principal episódio que marcou o rompimento ocorreu em 14 de maio de 2026, durante reunião do Colégio de Presidentes de Subseções da OAB-ES, realizada em Cachoeiro de Itapemirim.
Na ocasião, foi aprovado o encaminhamento de um pedido de apuração envolvendo a conduta de Kelly Andrade. Nos bastidores, integrantes da advocacia interpretam o movimento como um possível desgaste político visando a sucessão da presidência da OAB-ES.
Caso envolve reportagem retirada do ar
O embate ganhou ainda mais repercussão após Kelly Andrade denunciar uma campanha de divulgação de informações falsas envolvendo seu nome.
Segundo informações publicadas pelo jornalista Elimar Côrtes, Kelly conseguiu retirar do ar, por meio de ação extrajudicial, uma reportagem do Portal Capixaba intitulada:
“Colégio de Presidentes de Subseções da OAB pede apuração de conduta ética da presidente da CAAES”.
A reportagem questionada relatava um suposto desentendimento entre Kelly Andrade e a presidente da Subseção da OAB de Viana, Otonina Silva Dias, durante uma campanha de vacinação organizada pela CAAES.
Segundo o Blog do Elimar Côrtes, mesmo após a remoção da reportagem, o caso ganhou novos desdobramentos quando Érica Neves teria compartilhado o link da publicação em uma página do Instagram chamada “Fala Advocacia”.
Kelly Andrade reage e denuncia perseguição política
Após a repercussão do caso, Kelly Andrade publicou um longo desabafo nas redes sociais acusando a presidência da OAB-ES de promover uma “perseguição política implacável”.
Na manifestação, ela afirmou que não foi comunicada previamente sobre o tema e criticou a condução do processo.
“O mais grave é que eu não fui sequer cientificada previamente. Não tive oportunidade de me manifestar. Não fui ouvida. Não participei da reunião”, declarou.
Kelly também questionou a competência do Colégio de Presidentes para tratar do assunto da forma como ocorreu.
Vídeo Instagram:
Presidente da CAAES cita problemas da advocacia capixaba
No pronunciamento, Kelly Andrade afirmou que a OAB deveria concentrar esforços em problemas enfrentados diariamente pela advocacia capixaba.
Ela mencionou dificuldades relacionadas a:
- Balcão virtual
- Morosidade judicial
- Unificação de comarcas
- Acesso a magistrados
- Custas judiciais
- Estrutura dos NAPS
- Violações de prerrogativas
“A OAB precisa estar voltada para os problemas reais da advocacia capixaba”, afirmou.
OAB divulga nota oficial sobre reunião
Após a repercussão pública, o Colégio de Presidentes de Subseção divulgou nota oficial afirmando que a deliberação teve como objetivo apenas encaminhar relatos para análise dos órgãos competentes.
Segundo o comunicado:
“A deliberação foi no sentido de se remeter o relato ao crivo dos organismos competentes para as devidas apurações, obviamente com o estabelecimento do contraditório no foro adequado.”
Post Instagram:
Clima indica sucessão antecipada na OAB-ES
Nos bastidores, Kelly Andrade é vista como um dos principais nomes para disputar futuramente a presidência da OAB-ES.
De acordo com o jornal ES Hoje, fontes ligadas ao meio jurídico afirmam que ela ampliou influência política no interior e na Grande Vitória por meio de projetos, convênios e serviços oferecidos pela CAAES. Já aliados de Érica Neves indicam que a atual presidente não pretende apoiar a ex-aliada na sucessão.
Crise relembra conflitos da gestão anterior
O atual cenário também remete à crise institucional vivida na gestão passada, marcada pelo embate entre:
- José Carlos Rizk Filho, então presidente da OAB-ES
- Ben-Hur Farina, então presidente da CAAES
Na época, os conflitos políticos e jurídicos entre os dirigentes dominaram os bastidores da advocacia capixaba.
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